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19/06/2013

10 maneiras de orientar seus filhos sobre magreza e obesidade

Kathryn Westcott - BBC

O tema é universal: em vários países, como o Brasil, há uma constante preocupação com a aparência, e a obesidade, além de ser um crescente problema de saúde, é um fator de estigmatização pela sociedade.

Por isso, muitos pais questionam-se sobre como devem conversar com seus filhos sobre o peso.

Alguns temem exagerar na abordagem do assunto, sob risco de as crianças se tornarem obsessivas com sua aparência, ou mesmo provocar nelas distúrbios alimentares, como a anorexia.

Por outro lado, não tocar no assunto pode sinalizar à criança que nada de errado há com a obesidade, levando-a a vários problemas emocionais e físicos futuros.

Segundo especialistas, não há uma maneira única de tratar o problema. Mas eles dão algumas sugestões.

É preciso falar sobre o assunto

Alguns pais acreditam que, quanto menos falarem sobre determinados assuntos com seus filhos, melhor.

Mas, para Andrew Hill, professor de psicologia médica da Universidade de Leeds (Reino Unido), é melhor que não haja barreiras na comunicação com os filhos.

"Não é fácil", diz ele. "Mas se algumas questões forem levantadas, não dissimule. Vá direto ao ponto. A chave da questão é "por quê?". Eu quero saber por que esse comportamento está acontecendo. Se é algo que a criança viu na TV ou alguém lhe disse na escola, talvez seja algo doloroso. As preocupações demonstradas pelos pequenos costumam ser sintomas de outros eventos - portanto, resolva-as e outros comportamentos tendem a se estabilizar,"

O peso de uma criança é motivo de preocupação, ele diz, mas isso é volátil e pode ser temporário.

As meninas em uma idade em particular - quando chegam à puberdade, por exemplo - tendem a se comparar mais com as colegas, acrescenta Hill.

Na média, durante a transição para a idade adulta, o seu índice de gordura corporal chega a dobrar.

Segundo o psicólogo, os meninos também passam por mudanças no corpo, mas de outra forma: eles tendem a ganhar mais músculos.

"Quando as meninas se comparam, elas estão normalmente em diferentes pontos de seu desenvolvimento físico. Conversar com elas é uma forma positiva e garantida de lidar com o problema. O 'x' da questão é mostrar às meninas que elas não precisam ser tão autoexigentes consigo mesmas."

Não entre em pânico

Um pai nunca deve entrar em pânico se seu filho lhe perguntar se está gordo, diz Paul Gately, professor de exercício e obesidade: "Conheço pais que ficam muito medrosos. A cada pergunta para a qual não estão preparados, eles tremem. Mas essa reação pode levar os filhos a pensar: o que eu desencadeei?"

Muitos pais, afirma o especialista, "tentarão tapar o sol com a peneira ou dizer que a seu filho que não se trata de um problema. Mas se há realmente um problema, a criança corre risco de ser vítima de xingamentos na escola e isso pode acabar fazendo com que ela perca a confiança em seus pais".

"A troça e o bullying de crianças com sobrepeso na escola é endêmica", analisa Gately. "Se uma criança mencionar o assunto, não evite abordá-lo. Pais precisam ouvir mais seus filhos. A criança precisa expor seu ponto de vista da maneira como se sente mais à vontade."

Esteja preparado

Com a obesidade em alta, os pais que se preocupam com o peso de seus filhos podem se preparar anteriormente para uma conversa que inevitavelmente acontecerá, diz Gately.

"Os pais vão se beneficiar disso porque não serão pegos de surpresa", diz ele.

Na avaliação do especialista, os pais devem tentar criar um ambiente favorável a esse tipo de conversa.

Assim, segundo ele, quando a criança quiser falar sobre o assunto, ficará mais à vontade.

Além disso, ele recomenda que a família mantenha hábitos saudáveis, de forma a estimular que os filhos façam o mesmo.

Ele ressalva, entretanto, que qualquer mudança tem de ser feita lentamente. Caso contrário, poderá causar problemas.

Traga o assunto à tona

Os pais devem trazer o assunto do "peso" à tona antes de seus filhos?

"Faça a sua própria avaliação - se seus filhos não querem falar sobre isso, não corra o risco de criar uma briga em família. Mas se continuar preocupado com a situação, busque auxílio da professor ou mesmo do médico da família", afirma Hill.

Mary George, de uma entidade que trata crianças com distúrbios alimentares, acredita que se um pai está preocupado com a alimentação de seu filho, deve pedir ajuda a um médico da família ou um enfermeiro.

"Há sempre maneiras de dizer a mesma coisa de outra forma - fale, por exemplo, que a família toda vai fazer um check-up geral".

Trate o assunto com leveza

Um pai que sinta que precise conversar sobre o peso de seu filho com ele, deve agir com delicadeza ao abordar a questão.

Para os especialistas, uma das maneiras é perguntar à criança se ela se sentiria mais confortável caso tivesse outro peso, diz a psicóloga e escritora Amanda Hills.

"Se a resposta for afirmativa, então ofereça ajuda a elas fazendo uma comida mais saudável - e exigindo delas força de vontade para cumprir a meta".

A chave é guiá-las e nunca controlar os hábitos alimentares dela como um general, diz a psicóloga.

"Muitos distúrbios alimentares acontecem quando as crianças não têm controle sobre si mesmas", diz Hills. "No entanto, trate o assunto com leveza. Não diga, por exemplo, que uma comida é boa ou ruim. Caso ache que um determinado alimento não é o melhor para o seu filho, aborde a questão de forma casual. Não fique obcecado por isso". Mostre a seu filho o quanto ele é especial

"Mais e mais crianças e adolescentes estão preocupados com a sua imagem", diz Mary George. "Com isso, perde-se um pouco da infância".

Se seu filho trouxer o assunto à tona, não evite abordar o tema, mas tente lhe mostrar o quanto ele é especial, diz George. "Encoraje-o em outras áreas - diga o quanto eles são generosos, caridosos, felizes, o que vai tirar a atenção do peso".

Nunca faça piadas

Muitos pais não percebem que, ao fazerem uma piada sobre o peso de seu filho, podem afetá-lo por toda a vida, diz Hills. "Um pai, por exemplo, nunca deve chamar a sua filha de 'gordinha'. O mesmo se aplica a um marido que faça piadas sobre o peso de sua esposa, ou vice-versa".

Pais também devem ser cuidadosos em não "contaminarem" seus rebentos, ao fazerem brincadeiras, por exemplo, sobre o peso de outras pessoas.

"A criança interpretará tal atitude como correta".

Seja moderado em relação à própria aparência

Pesquisas mostram que a criança é afetada pela imagem que a mãe faz de si mesma e como ela trata a comida, diz a psicóloga Amanda Hills. Nos Estados Unidos, essa situação já tem nome: "thinheritance", algo como "herança da magreza", em tradução livre.

"É crucial que a mãe nunca diga que esteja de dieta", diz Hills. "Todas as pessoas com distúrbios alimentares que eu já atendi tinham uma mãe - ou um pai - que demonstravam um comportamento obsessivo com a comida".

Mas como explicar à criança caso a mãe ou o pai evite ingerir um alimento, justamente porque está de dieta?

"Diga algo como: Mamãe não vai comer essa batata porque já terminou de crescer", responde Hills.

A psicóloga alerta para o fato de que, nesse caso, os pais nunca devem montar um prato com alimentos diferentes dos que oferecem a seus filhos, pois, assim, podem confundi-los.

Ela faz, no entanto, uma ressalva. "Se um dos pais - ou os dois - está frequentando o 'Vigilantes do Peso', por exemplo, não há por que esconder isso dos seus filhos, pois normalmente significa que eles estão precisando perder peso e devem mostrar a seus rebentos como lidar com tal problema".

Estimule seus filhos a aprender com os próprios erros

Se uma criança está preocupada com seu peso, os pais devem criar uma situação em que ela aprenda com seus próprios erros, argumenta Andrew Hill. Segundo o especialista, eles precisam ganhar autoconfiança e aperfeiçoar suas próprias competências.

Nesse caso, os pais devem, por exemplo, estimular seus filhos a sair com os amigos para praticar um exercício físico, nunca focando no sobrepeso da criança em si. Monte uma agenda nutricional

As crianças consomem de 60% a 70% de sua ingestão calórica diária em casa. Portanto, segundo Hill, os pais devem montar uma agenda nutricional.

"Crianças mais velhas têm mais liberdade e também maior poder financeiro - a chave para isso é aconselhá-las sobre como definir prioridades porque mais tarde elas serão responsáveis por suas próprias escolhas."


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