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29/07/2011

Adolescentes obesas acreditam que ser magro é ser feliz

Com informações da Agência USP

Papo de adolescente

Para adolescentes obesas, ser magro é fazer parte da sociedade, ser feliz, bem-sucedido, vencedor.

Essa é a conclusão da pesquisa de Dressiane Zanardi Pereira e Fernando Lefèvre, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

No primeiro semestre de 2010, Dressiane entrevistou individualmente 32 alunas participantes do Programa de Atividades ao Paciente Obeso (Papo), oferecido gratuitamente desde 1996 por uma equipe de profissionais multidisciplinar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O Papo tem por objetivo envolver as adolescentes em práticas de atividade física, alimentação adequada e autoconhecimento, além da diminuição do excesso de peso. As adolescentes passavam por uma seleção antes de serem aceitas no programa.

A turma entrevistada pela pesquisadora era composta por garotas entre 13 e 16 anos, com condições sociais e físicas semelhantes. Essa triagem evitaria que alguma delas se sentisse excluída dentro da turma.

Discurso do Sujeito Coletivo

A análise dos dados obtidos foi feita com base na metodologia do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), desenvolvida por Fernando Lefèvre e Ana Maria Cavalcanti Lefèvre, ambos da FSP, utilizando o software Qualiquantisoft.

Para cada resposta de cada pergunta foi elaborado um DSC, um texto escrito como se fosse falado por um único sujeito, mas que contivesse os aspectos mais relevantes e comuns nas respostas de cada uma das adolescentes.

O questionário apresentado às entrevistadas trazia três perguntas abertas.

Por que você está acima do peso?

A primeira era "A que se deve o fato de você estar acima do peso?".

A grande maioria das respostas culpava maus hábitos alimentares e compulsão alimentar devido a emoções negativas.

"Muitas delas diziam que não tinham bons hábitos alimentares em casa e culpavam os pais por isso. É claro que os familiares têm parcela de responsabilidade, mas menos do que elas diziam. A maior responsabilidade é delas mesmas", afirma Dressiane.

É importante dizer que meninas cujas famílias ajudaram diretamente nas mudanças de comportamento tiveram melhoras muito mais significativas do que aquelas que não tinham tanto apoio.

"[A adolescência] é uma fase complicada. Você não faz compras sozinho, não decide tudo o que vai comprar, comer. Elas precisam do apoio dentro de casa para melhorar seus hábitos", explica.

Expectativas

A segunda pergunta era "O que você espera com o programa Papo?".

Todas as garotas responderam que esperavam emagrecer. Algumas acrescentavam que pretendiam melhorar a autoestima e a estética ou melhorar a saúde.

"Algumas delas chegavam com comorbidades, por exemplo, colesterol alto. Por isso elas tinham consciência da questão médica", explica Dressiane.

Passe de mágica

A terceira e última questão era "Se você for bem-sucedida com o programa, se acontecerem as coisas que você espera, o que você acha que vai mudar na sua vida?".

A maior parte das respostas dizia que o sucesso no programa aumentaria a aceitação das pessoas, melhoraria a sociabilidade e acabaria com os preconceitos sofridos pela obesidade.

"Elas acreditavam que, com o emagrecimento, a vida delas melhoraria em vários aspectos. Era como se tudo mudasse num passe de mágica. Mas não é assim que as coisas acontecem", diz a pesquisadora.

O corpo na sociedade contemporânea

Uma das fontes lidas para o desenvolvimento do trabalho, a psicanalista Maria Rita Kehl, escreveu sobre o corpo na sociedade contemporânea, dizendo que ele foi promovido "ao mais fiel indicador da verdade do sujeito, da qual depende a aceitação e a inclusão social".

Em outras palavras, um corpo magro possibilita uma melhor interação com as outras pessoas. É justamente essa ideia que aparece nas falas das adolescentes entrevistadas na pesquisa.

Sobre políticas de saúde para a obesidade, Dressiane afirma que na maioria das vezes são ações isoladas, mas sem incentivo. Ela ainda diz que o Brasil passou da subnutrição à obesidade e que é preciso lidar com os problemas biológicos da doença. "O obeso pode ter diabetes, pressão alta, problemas cardíacos. É necessário ter cuidado com essas pessoas".


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