Alzheimer genético pode ser detectado 20 anos antes dos sintomas

Detecção precoce de Alzheimer

Formas hereditárias da doença de Alzheimer podem ser detectadas até 20 anos antes que surjam os problemas com a memória e com o raciocínio.

Esta é conclusão de um estudo liderado pelo Dr. Randall Bateman, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e apresentado na última semana durante a Conferência Internacional da Associação sobre Doença de Alzheimer, em Paris.

A identificação precoce do Alzheimer, ainda em seus estágios iniciais, é uma prioridade para os pesquisadores.

Muitos deles acreditam que, quando os sintomas se tornam aparentes, a doença de Alzheimer já prejudicou largamente o cérebro, tornando difícil ou mesmo impossível a recuperação da memória e de outras capacidades mentais.

Mutações genéticas

Os resultados confirmam e ampliam conhecimentos anteriores, obtidos do estudo das formas mais comuns da doença de Alzheimer, incluindo dados que sugerem que mudanças nos níveis de marcadores biológicos no fluido espinhal podem ser detectadas anos antes da demência.

"Queremos evitar danos e perda de células cerebrais intervindo no início do processo da doença - mesmo antes que os sintomas externos se tornem evidentes, porque então pode ser tarde demais," disse o Dr. Bateman.

Os cientistas dizem que os resultados demonstram a viabilidade de ensaios clínicos para prevenir o Alzheimer em pacientes com registro genético da doença.

Pessoas que carregam as mutações, mas ainda são assintomáticas, têm níveis significativamente mais baixos de beta-amiloide e níveis mais elevados de proteína tau em seu fluido cerebroespinhal do que os participantes sem as mutações.

Eles planejam começar os primeiros testes para essa avaliação já no ano que vem.

Alzheimer genético

Os pesquisadores estão estudando membros de famílias que possuem mutações em um de três genes: proteína precursora amiloide, presenilina 1 ou presenilina 2.

Pessoas com essas mutações desenvolvem a doença de Alzheimer precocemente, com sintomas a partir dos 40 ou 50 anos ou, em alguns casos raros, até com 30 anos.

Quando um dos pais desenvolve a demência na idade de 50 anos, um filho que herdou a mutação deve desenvolver a demência aproximadamente na mesma idade, o que está permitindo que os cientistas monitorem essa população a longo prazo.

"Baseados no que vemos em nossa população, as mudanças na química do cérebro podem ser detectadas até 20 anos antes da idade prevista para o surgimento dos sintomas," diz Bateman. "Essas mudanças relacionadas ao Alzheimer podem ser alvos específicos para ensaios de prevenção em pacientes com formas hereditárias da doença de Alzheimer."


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