Alzheimer poderá ser tratado com ultra-som

Alzheimer poderá ser tratado com ultra-som
O ultra-som rompe as placas amiloides que se acredita serem neurotóxicas e resultarem na perda de memória e no declínio cognitivo.
[Imagem: Gerhard Leinenga et al. - 10.1126/scitranslmed.aaa2512]

Ultra-som contra Alzheimer

A bem conhecida e não-invasiva tecnologia de ultra-sons poderá ser utilizada para tratar a doença de Alzheimer, que responde por cerca de dois terços dos casos de demência.

Pesquisadores da Universidade de Queensland (Austrália) descobriram que o ultra-som rompe as placas amiloides que se acredita serem neurotóxicas e resultarem na perda de memória e no declínio cognitivo.

As placas de amiloides beta são consideradas a marca registrada da doença de Alzheimer, embora haja contestações sobre seu papel, com estudos indicando que as placas de amiloide podem ser uma defesa do cérebro.

Apesar disso, existem medicamentos já disponíveis, e vários em desenvolvimento, que visam justamente a destruição das placas de amiloides beta.

Sem remédios

O professor Jürgen Götz, coordenador da equipe australiana, afirma que a nova técnica pode revolucionar o tratamento de Alzheimer e a restauração da memória porque não depende de medicamentos, evitando os efeitos colaterais.

"Nós estamos extremamente entusiasmados com esta inovação no tratamento da doença de Alzheimer sem usar terapêutica de drogas," disse ele. "As ondas de ultra-som oscilam tremendamente rápido, ativando as células microgliais que digerem e removem as placas amiloides que destroem as sinapses cerebrais.

Barreira hematoencefálica

Segundo a análise da equipe, as ondas de ultra-som abrem temporariamente a barreira sangue-cérebro, ativando mecanismos que limpam os aglomerados tóxicos de proteína e restaurando as funções relacionadas à memória.

"Com a nossa abordagem, a barreira hematoencefálica abre-se apenas temporariamente, por algumas horas, de forma que ela recompõe rapidamente o seu papel protetor," disse Götz.

É a barreira hematoencefálica que protege o cérebro de eventuais patógenos que possam chegar através do sangue, e sua transposição tem sido objeto de intenso debate entre os cientistas, sobretudo por causa das nanopartículas.

O estudo foi realizado em camundongos com modelo de Alzheimer. Agora a equipe começará testes em animais maiores e, dentro de cerca de dois anos, poderão começar os estudos em humanos.


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