Cientistas questionam amamentação exclusiva por seis meses

Amamentação exclusiva

Existem inúmeras orientações para que as mães amamentem seus filhos exclusivamente com seu próprio leite até os seis meses de idade.

Mas uma nova pesquisa, publicada no jornal da conceituada Associação Médica Britânica, questiona essas orientações.

Os autores, liderados pela Dra. Mary Fewtrell, do Instituto UCL de Saúde Infantil de Londres, que revisou as evidências científicas que embasam essas orientações, afirmam que o momento é propício para reavaliar essa recomendação.

Alimentos durante a amamentação

Os pesquisadores salientam que, enquanto endossem integralmente a amamentação exclusiva nas primeiras semanas ou meses de vida, eles estão preocupados que fazê-lo exclusivamente por seis meses, e não introduzir outros alimentos, pode não ser sempre o melhor para a própria criança.

Pesquisa mostra o que leva mães a substituírem aleitamento por leite artificial.

Em 2001, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou sua recomendação global de que os bebês devem ser amamentados de forma exclusiva, sem adição de outros alimentos, durante os seis primeiros meses de vida.

Apesar disso, muitos países não seguem esta recomendação.

Fewtrell e seus colegas afirmam que a amamentação exclusiva por seis meses é válida nos países menos desenvolvidos, onde o acesso à água potável segura e a alimentos adequados para o desmame são limitados, havendo um risco elevado de mortalidade infantil e doenças.

No entanto, eles têm reservas sobre se a orientação da OMS é válida para países como o Reino Unido, onde a pesquisa foi feita, onde essa situação não se verifica.

Anemia, alergias e doença celíaca

A recomendação da OMS de que as mães devem amamentar exclusivamente por seis meses é amplamente baseada em uma revisão sistemática de pesquisas científicas, como a que foi feita agora, realizada em 2000.

Aquela revisão concluiu que os bebês alimentados exclusivamente com leite materno têm menos infecções e menos problemas de crescimento.

Mas os cientistas agora argumentam que a evidência de que o leite materno sozinho forneça a nutrição suficiente por seis meses é questionável.

Eles afirmam que há um maior risco de anemia por deficiência de ferro entre os bebês com amamentação exclusiva e que também pode haver uma maior incidência da doença celíaca e alergias alimentares do que entre as crianças que recebem alguns alimentos sólidos antes dos seis meses.

Importância de outros sabores

Os autores também temem que a amamentação exclusiva prolongada possa reduzir a janela para a introdução de novos sabores, particularmente sabores amargos, que podem ser importantes para a posterior aceitação de legumes verdes.

Isso pode encorajar uma alimentação pouco saudável na vida adulta e levar à obesidade, dizem os cientistas.

Fewtrell e seus colegas concluem que é hora de rever a orientação da OMS, à luz das evidências que se acumularam sobre esta questão durante os últimos dez anos.


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