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18/04/2016

Paracetamol nos faz cometer mais erros?

Com informações da Universidade de Toronto
Analgésico paracetamol nos faz cometer mais erros?
"Parece que o paracetamol torna mais difícil reconhecer um erro, o que pode ter implicações para o controle cognitivo na vida diária," interpreta o Dr. Dan Randles. [Imagem: University of Toronto Scarborough]

Efeitos neurológicos do paracetamol

O paracetamol, ou acetaminofeno, é um analgésico eficaz, mas também pode estar bloqueando a capacidade do nosso cérebro para detectar erros.

"Pesquisas anteriores nos mostraram que a dor física e a rejeição social compartilham um processo neural que nós experimentamos como angústia, e ambos têm sido atribuídos à mesma parte do cérebro," explica o Dr. Dan Randles, da Universidade de Toronto (Canadá).

O pesquisador explica que os estudos mais recentes começaram a esclarecer exatamente como o paracetamol inibe a dor, enquanto estudos comportamentais sugeriram que o medicamento pode também inibir as respostas de avaliação ou julgamento de forma mais geral. Além disso, mostrou-se que as pessoas ficam menos reativas sob situações incertas quando sob o efeito do paracetamol.

"A ideia central do nosso estudo é que nós não entendemos completamente como o paracetamol afeta o cérebro," esclarece Randles. "Embora tenha havido pesquisas comportamentais recentes sobre os efeitos do paracetamol, queríamos ter uma noção do que está acontecendo neurologicamente."

Negatividade e positividade relacionadas ao erro

Para testar a hipótese da conexão entre o paracetamol e a capacidade de julgamento, dois grupos de 30 pessoas receberam uma tarefa conhecida como "Ir ou não Ir." Os participantes devem apertar o botão "Ir" cada vez que a letra F aparece em uma tela, mas não apertar o botão se a letra "E" aparecer na tela. "O truque é que se supõe que você irá se mover muito rapidamente capturando todos os 'Ir', mas se segurar quando você ver um 'Não Ir'," explica Randles.

Enquanto isso, um aparelho de eletroencefalograma (EEG) media a atividade elétrica no cérebro dos participantes. Os pesquisadores estavam à procura de ondas cerebrais conhecidas como Negatividade Relacionada ao Erro (NRE) e Positividade Relacionada ao Erro (PRE). Essencialmente, o que acontece é que, quando as pessoas estão ligadas a um EEG e cometem um erro na tarefa, há um forte aumento na NRE e na PRE.

O grupo que recebeu 1.000 mg de paracetamol - o equivalente a uma dose máxima - apresentou uma PRE menor quando cometeu erros do que aqueles que não receberam a dose.

"Parece que o paracetamol torna mais difícil reconhecer um erro, o que pode ter implicações para o controle cognitivo na vida diária," interpreta Randles.

Paracetamol e erros

Um achado inesperado e surpreendente foi que os voluntários que receberam uma dose de paracetamol perderam mais dos estímulos "Ir" do que deveriam. O Dr. Randles planeja explorar isso mais de perto para ver se o acetaminofeno está realmente fazendo as pessoas se distraírem e deixando a "mente vagar".

"Uma questão óbvia é, se as pessoas não estão detectando esses erros, elas estão também cometendo erros mais frequentemente quando tomam paracetamol?

A pesquisa foi publicada na revista Cognitive Social e Affective Neuroscience.


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