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28/10/2013

Análise em larga escala questiona rótulos de colesterol "bom" e "ruim"

Redação do Diário da Saúde
Análise genética questiona rótulos de colesterol
tipos menos conhecidos de colesterol que podem ser piores do que o chamado colesterol ruim.[Imagem: University of Copenhagen]

Uma análise em larga escala revelou a existência de 157 alterações genéticas no DNA que alteram os níveis de colesterol.

O trabalho, publicado na revista Nature Genetics, promete mudar a forma como médicos e cientistas encaram os lipídios no sangue, sobretudo o colesterol.

Muitas das alterações do DNA apontam para genes anteriormente não ligados às gorduras no sangue - ou lipídios.

Um número surpreendente das variações também está associado com doença coronariana, diabetes tipo 2, obesidade e pressão arterial elevada.

Além disso, a análise revelou que os triglicerídeos - um outro tipo de lipídio do sangue - parece desempenhar um papel no risco de doenças cardíacas maior do que se pensava.

Os resultados foram obtidos pelo Consórcio Global da Genética dos Lipídios, uma equipe mundial de cientistas que reuniu informações genéticas e clínicas de mais de 188 mil pessoas de diversos países.

HDL: colesterol não tão bom

Os dados mostraram que variações genéticas que aumentam os níveis de colesterol LDL ou triglicerídeos também estão associadas com maior risco de doença arterial coronariana.

Mas a análise lançou dúvidas sobre o papel da lipoproteína de alta densidade - conhecida como HDL ou "colesterol bom" - no risco de doença arterial coronariana.

De fato, nos últimos anos, muitas drogas que ajudam a melhorar o HDL não conseguiram demonstrar benefícios na prevenção das doenças cardíacas.

"Nossa análise, usando mais de 185 sequências de DNA em todo o genoma, mostrou que ter triglicérides geneticamente elevados está associado com um maior risco para doença arterial coronariana mesmo quando se leva em conta efeitos sobre o colesterol LDL e do colesterol HDL do plasma," afirmam Ron Do e Sekar Kathiresan, coordenadores do trabalho.

"Estes dados sugerem que lipoproteínas ricas em triglicérides no plasma refletem processos causais para a doença arterial coronária," completam.

Redes genéticas

O trabalho não está completo - no ano passado, a equipe já havia questionado a relação entre o colesterol bom e os ataques cardíacos.

O próximo passo inclui procurar "redes" de genes que interagem entre si, para tentar coletar pistas sobre a função dos genes menos conhecidos.

Outro desafio é procurar variantes genéticas raras ligadas com as formas mais graves de dislipidemia e doenças cardíacas.

A eventual sobreposição entre estas variações graves raras e as variações mais comuns, mas menos graves, poderão ajudar a aumentar a compreensão da biologia básica dos lipídios - e, provavelmente, eliminar os apelidos de "bom" ou "ruim" de alguns deles.

O colesterol, tanto em sua versão "boa" quanto "ruim", tem sido alvo de intensos debates nos últimos meses, em decorrência de uma série de estudos que têm questionado esses rótulos há muito tempo adotados pelos médicos:


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