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25/02/2016

Anti-inflamatório evita a morte por picada do escorpião amarelo

Com informações da USP
Anti-inflamatório evita a morte por picada do escorpião amarelo
Os anti-inflamatórios conhecidos como inibidores de prostaglandinas, como a indometacina e o celecoxibe, minimizam a ocorrência de complicações pulmonares, evitando a morte em 100% dos casos em experimentos em animais de laboratório. [Imagem: Eliane Candiani A. Braga]

Escorpião amarelo

Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto descobriram que um medicamento anti-inflamatório comum pode evitar a morte causada pela picada de escorpião.

Com apenas 7 centímetros de comprimento, o escorpião amarelo (Tityus serrulatus) é a espécie a mais peçonhenta da América do Sul, sendo prevalente no Sudeste brasileiro.

Todos os anos, mais de 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo são vítimas de seu veneno. Dessas, cerca de 3 mil acabam morrendo, a maioria das mortes decorrentes de complicações cardíacas e pulmonares que resultam em um quadro de insuficiência respiratória.

Karina Furlani Zoccal e seus colegas descobriram que as mortes podem ser evitadas em 100% dos casos com a pronta administração de medicamentos anti-inflamatórios encontrados em qualquer farmácia, como a indometacina e o celecoxibe.

"Nossos experimentos foram feitos com camundongos, mas há grandes chances de que os resultados se repliquem em humanos, pois as bases moleculares - os mediadores envolvidos na reação inflamatória pulmonar - são iguais nesse caso. Se isso se confirmar, será uma ferramenta importante no pronto atendimento das vítimas e certamente vai diminuir a mortalidade", explicou a professora Lúcia Helena Faccioli, coordenadora do trabalho.

Anti-inflamatório contra veneno

Sempre que alguém é picado pelo T. serrulatus ocorre uma reação inflamatória local que causa fortes dores, mas não leva à morte. Em alguns casos, porém, também é desencadeada uma reação inflamatória sistêmica, que pode resultar em edema pulmonar (acúmulo de líquido no pulmão) e prejudicar a respiração. É esse quadro que pode progredir para óbito.

Até o momento, o consenso entre os cientistas era que a gravidade do quadro de envenenamento dependeria essencialmente da relação entre a massa corporal da vítima e a dose de toxina inoculada.

No entanto, o estudo indica que há mecanismos específicos de ação que influenciam na capacidade do indivíduo de produzir certas moléculas inflamatórias e anti-inflamatórias.

"Os mecanismos pelos quais essa reação sistêmica é disparada, os mediadores envolvidos, não eram conhecidos e foram objetos do nosso estudo", contou Lúcia.

Tomando os medicamentos, todos os animais sobreviveram mesmo quando inoculados com doses letais do veneno, confirmando que o edema pulmonar não progride ao ponto de tornar-se letal sem a participação da IL-1β, uma molécula formada pela ativação do inflamassoma, a estrutura essencial para a ativação da resposta inflamatória. É esse mecanismo que é interrompido pela ação do medicamento anti-inflamatório.


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