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09/05/2012

Para combater superbactérias, deixe-as vivas

Redação do Diário da Saúde

Desarmar sem matar

Na luta contra a resistência das bactérias aos antibióticos, a próxima estratégia pode ser a de desarmar as bactérias, sem necessariamente matá-las.

Pesquisadores descobriram que as bactérias possuem uma espécie de bomba molecular, formada por um complexo de proteínas chamado TAM (Translocation and Assembly Module, ou módulo de translocação e montagem.

O complexo TAM permite que as bactérias "lancem" as moléculas causadoras de doenças, de dentro da célula bacteriana onde elas são fabricadas, até a superfície exterior - e é isso que torna as bactérias prontas para a infecção.

"A TAM foi identificada em muitas bactérias causadoras de doenças, de microrganismos que causam coqueluche e meningite, até as superbactérias de hospitais, que estão desenvolvendo resistência aos antibióticos atuais," diz o Dr. Joel Selkrig, da Universidade de Monash, na Austrália.

Evitando mutações maléficas

Segundo Selkrig, essa descoberta abre caminho para futuros estudos para sintetizar novas drogas que inibam esse processo.

"É um bom alvo porque uma droga antibacteriana projetada para inibir a função TAM provavelmente não vai matar as bactérias, mas simplesmente privá-los de suas armas moleculares, e, ao fazer isso, desativa o processo da doença," explicou ele.

"Ao permitir que as bactérias permaneçam vivas após o tratamento antibiótico, poderemos prevenir o aparecimento da resistência aos antibióticos, que está rapidamente se tornando um grande problema em todo o mundo," completou.

Máquina molecular

O complexo TAM constitui-se de duas partes de proteína, TamB e TamB, que funcionam em conjunto para formar uma máquina de escala molecular.

Ao modificar geneticamente as bactérias para que elas não tivessem a máquina molecular TAM, os pesquisadores perceberam que elas perderam seu poder infeccioso.

"Percebemos que proteínas importantes para a doença estavam ausentes na membrana externa das bactérias mutantes," disse Selkrig. "As proteínas ausentes ajudam as bactérias a aderir aos nossos corpos e realizar funções relacionadas com a doença."

O próximo passo da pesquisa é projetar um antibiótico que iniba a TAM em bactérias.


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