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12/12/2011

Aprendizado pode ser "inserido" diretamente no cérebro

Redação do Diário da Saúde
Aprendizado pode ser
No futuro, uma pessoa poderá ter seus padrões de atividade cerebral modificados apenas olhando para uma tela de computador - e sair da "aula" com melhor desempenho físico ou mental.[Imagem: Nicolle Rager Fuller/NSF]

Aprender sem esforço

Uma nova pesquisa sugere que pode ser possível aprender tarefas de alto desempenho com pouco ou mesmo nenhum esforço consciente.

Isso inclui aprender a tocar piano, reduzir o estresse mental, melhorar o desempenho no esporte ou virtualmente qualquer outra tarefa que, normalmente, exija grande treinamento e grande esforço.

O trabalho revolucionário - e um tanto preocupante - foi publicado na revista Science.

Controlando o cérebro pelos olhos

Os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética funcional (fMRI) para, através do córtex visual de uma pessoa, induzir padrões de atividade cerebral equivalentes a um padrão previamente conhecido, envolvido com o aprendizado que se quer obter.

Imagine uma pessoa olhando para uma tela de computador e tendo seus padrões de atividade cerebral modificados para se equivalerem àqueles de um atleta de ponta, ou para se recuperar de um trauma.

Embora o estudo esteja em estágio preliminar, os cientistas afirmam que esta é uma possibilidade que poderá ser real no futuro.

"As áreas visuais dos adultos são suficientemente plásticas para induzir um aprendizado perceptual visual," garante Takeo Watanabe, coordenador do estudo, que envolveu cientistas do Japão e dos Estados Unidos.

Aprender olhando

Os neurocientistas descobriram que as imagens vão gradualmente se construindo no cérebro de uma pessoa, aparecendo primeiro como linhas, bordas, formas, cores e movimentos.

A seguir, o cérebro parte para os detalhes, que permitem, por exemplo, que saibamos diferenciar uma bola vermelha de uma bola azul.

Kazuhisa Shibata, um dos membros da equipe, criou então uma técnica que usa o chamado neurofeedback para induzir um determinado padrão de atividade cerebral por meio da ativação do córtex visual.

Esse padrão foi obtido por meio de ressonância magnética do "professor", aquele indivíduo que já dominava a tarefa.

Os pesquisadores então testaram se as repetições desse padrão de ativação cerebral no "aluno" poderiam aumentar seu desempenho naquela tarefa.

Os resultados surpreenderam.

Na verdade, os voluntários aprenderam mesmo quando não sabiam que estavam aprendendo, e pensavam estar participando de um teste de computadores.

Aprender sem querer

Isto traz uma questão inevitável: a pesquisa prova que é possível um novo tipo de aprendizado automatizado, ou aprendizado hipnótico?

Os cientistas afirmam que sim, mas fazem algumas ressalvas.

"Neste estudo, nós confirmamos a validade de nosso método somente no aprendizado perceptual visual. Nós vamos ter de testar se o método funciona também em outros tipos de aprendizado," afirmam.

Mas o que já foi alcançado não é pouco, incluindo memória, controle motor e reabilitação. Depois de frisarem o termo "possibilidades", os pesquisadores falam em aprender idiomas e até aprender a pilotar um avião.

Mas há riscos bastantes óbvios, sobretudo quando se leva em conta que a técnica funciona com pessoas que não sabem que estão aprendendo.

"Nós termos de ser cuidadosos para que isso não seja usado de forma não-ética," concordam os cientistas.


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