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11/05/2012

Especialistas tentam evitar aprovação de pílula preventiva contra AIDS

Redação do Diário da Saúde

Tentativa de reversão

Vários especialistas em saúde pública e doenças contagiosas, de várias partes do mundo, estão tentando reverter uma decisão anunciada ontem por consultores sanitários dos Estados Unidos.

O painel de consultores sanitários norte-americanos recomendou que o medicamento Truvada seja aprovado para uso como pílula preventiva contra a AIDS.

É apenas uma recomendação para a agência FDA (Food and Drug Administration), que irá discutir o assunto no próximo dia 15 de Junho.

Ocorre que a FDA geralmente acata as recomendações do painel de consultores.

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O principal temor é que os grupos de risco da AIDS passem a tomar a pílula e sentir-se totalmente protegidos contra o HIV, abandonando medidas preventivas e o sexo seguro.

O Truvada é um medicamento que compõe o chamado coquetel anti-AIDS, juntamente com outras drogas antirretrovirais.

Um estudo publicado em Maio do ano passado, revelou que testes feitos com Truvada entre quase 2,5 mil homens sugerem que o medicamento pode reduzir as chances de contágio do HIV de homem para homem em 44% - pouco demais para que ele possa ser considerado uma vacina.

Um outro estudo considerou que o Truvada como vacina contra a AIDS era um fracasso:

Mas a Gilead Sciences, fabricante do Truvada, decidiu solicitar autorização para venda do medicamento como preventivo baseando-se em um estudo mais antigo, publicado em 2010:

Inseguro e caríssimo

Vários especialistas em AIDS vêm-se manifestando nas últimas horas em jornais de todo o mundo, contrários à aprovação.

Segundo eles, a autorização poderá dar aos grupos de risco a impressão de que a ingestão diária do medicamento significaria que eles estariam 100% protegidos, o que é falso.

Além disso, seria temerário depender da ação diária - tomar o comprimido - de pessoas que já adotam comportamentos de risco sem nem mesmo sentirem-se protegidos.

"Os 44% [dos voluntários] que se beneficiaram do Truvada no estudo iPrex foram aconselhados mensalmente e fizeram exames frequentes para detectar infecções sexuais, algo que não é verossímil no mundo real," afirmou a Healthcare Foundation em comunicado.

Para a instituição, a adoção do medicamento como preventivo poderia levar ao abandono do uso da camisinha, gerando um efeito negativo muito pior do que qualquer ganho com o uso do Truvada.

Outra crítica levantada é o custo do medicamento: se ingerido diariamente de forma preventiva, o tratamento com o Truvada custaria ao redor de US$900,00 (R$1.700,00) por mês, ou US$11.000,00 (R$20.900,00) por ano.

Em comparação, a camisinha, que oferece uma proteção melhor, custa alguns centavos para as autoridades de saúde, geralmente saindo de graça para os usuários.


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