Mais perto de um tratamento para a asma do esôfago

Asma do esôfago

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de Yale (EUA) elucidaram o processo químico por trás de uma misteriosa doença gastrointestinal que está ficando cada vez mais frequente na população: a esofagite eosinofílica ou a "asma do esôfago".

Eles identificaram uma substância que tem um papel chave nesta condição e que pode ser o alvo de uma nova estratégia terapêutica para a doença, que hoje é incurável.

Esofagite eosinofílica

A esofagite eosinofílica é uma inflamação crônica do esôfago. Em pacientes com esta condição, um tipo de glóbulo branco do sistema imunológico, o eosinófilo, forma uma camada que cobre todo o tubo que liga a boca ao estômago. Esse processo leva à inflamação do tecido do esôfago e, em consequência, à fibrose desse tecido, que causa dificuldade de engolir.

Em casos severos, os pacientes podem precisar ser submetidos a um procedimento para dilatar o esôfago e deixar a comida passar.

A doença é relativamente recente, com o primeiro diagnóstico feito nos anos de 1920. Os cientistas não sabem ainda o que desencadeia esse processo no esôfago. A hipótese mais aceita é de que isso possa ser causado por alergia a certos alimentos (como nozes e leite), poluição do ar ou componentes químicos que possam estar presentes em comidas industrializadas e produtos de higiene oral.

Fator de inibição

O pesquisador Heitor de Souza e seus colegas encontraram uma pista sobre a doença em uma molécula chamada MIF, sigla em inglês para fator de inibição da migração de macrófagos, que já tinha sido observada antes em outras alergias inflamatórias.

O MIF é liberado pelas células do sistema imunológico, incluindo os eosinófilos, quando nosso corpo está sendo ameaçado por doenças. Analisando biópsias de pacientes diagnosticados com a asma do esôfago, Heitor observou que o MIF estava muito ativado na mucosa do esôfago desses pacientes em comparação com o esôfago de pessoas saudáveis e de pessoas que sofrem de outras doenças do esôfago, como o refluxo.

A presença dessa molécula poderia explicar o acúmulo de eosinófilos no esôfago, pois o MIF é conhecido por atrair células do sistema imune e impedir a morte dessas células. De fato, experimentos in vitro provaram que o MIF aumenta significativamente a atração dos eosinófilos, formando uma camada dessas células.

"Se pudéssemos dar aos pacientes um medicamento que bloqueia a ação do MIF, com fizemos com os camundongos, seria uma forma mais eficaz e mais segura de tratamento do que o uso de corticosteroides que damos hoje", avalia o pesquisador. "Agora nós estamos um pouco mais perto de um tratamento efetivo para esta doença tão misteriosa."


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