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12/02/2009

Atividade mental altera mecanismos biológicos do cérebro

Redação do Diário da Saúde
Atividade mental altera mecanismos biológicos do cérebro
Dr. Torkel Klingberg, que coordenou a pesquisa que demonstra que a mente também altera o cérebro em termos biológicos.[Imagem: Ulf Sirborn]

Mente altera cérebro

Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, demonstraram pela primeira vez que o treinamento ativo da memória de trabalho resulta em alterações visíveis no número de receptores de dopamina no cérebro humano.

O estudo, publicado na revista Science, foi feito com o auxílio de imagens captadas por Tomografia por Emissão de Pósitrons, uma técnica utilizada em medicina nuclear capaz de revelar as complexas interconexões entre a cognição e a estrutura biológica do cérebro.

"Não é apenas a bioquímica do cérebro que serve de base para nossa atividade mental; nossa atividade mental e nossos processos de pensamento também podem afetar a bioquímica," diz o professor Torkel Klingberg, que coordenou o estudo. "Isto não havia sido demonstrado em humanos antes, e abre uma enxurrada de questões fascinantes."

Funcionamento da memória

O neurotransmissor dopamina desempenha um papel fundamental em muitas das funções cerebrais. Interrupções no sistema de dopamina pode prejudicar o funcionamento da memória de trabalho, tornando muito mais difícil para se lembrar de informações por um período curto de tempo, como quando se está tentando resolver um problema.

Já se comprovou que uma memória de trabalho deficiente é um importante fator no surgimento de problemas cognitivos em doenças como a esquizofrenia e o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (ADHD).

O professor Klingberg e seus colegas já haviam demonstrado anteriormente que a memória de trabalho pode ser melhorada com algumas poucas semanas de treinamento intensivo.

Treinamento ativa o cérebro

Atividade mental pode alterar mecanismos biológicos do cérebro

Agora, em uma colaboração com o Instituto de Cérebro de Estocolmo, os pesquisadores deram um passo adiante. Ao monitorar o cérebro usando a Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET Scan) eles confirmaram que o treinamento intensivo do cérebro leva a alterações no número de receptores D1 de dopamina no córtex cerebral.

A Tomografia por Emissão de Pósitrons é uma técnica de imageamento médico baseada no decaimento de isótopos radioativos que é capaz de produzir imagens tridimensionais do movimento de substâncias sinalizadoras no interior de um organismo vivo.

Importância dos resultados

Os resultados terão importância significativa para o desenvolvimento de novos tratamentos para pacientes com deficiências de aprendizado, tais como aquelas relacionadas com o déficit de atenção e hiperatividade, derrames cerebrais, síndrome da fadiga crônica e mesmo as perdas cognitivas associadas ao envelhecimento.

"Somente as alterações no número de receptores de dopamina em uma pessoa não nos dão todas as chaves para explicar uma memória fraca," diz Lars Farde, outro pesquisador que participou do estudo. "Nós também temos que verificar se as diferenças poderiam ter sido causadas por uma falta de treinamento da memória ou por outros fatores ambientais. Talvez nós sejamos capazes de encontrar novos tratamentos, mais eficazes, que combinem medicações e treinamento cognitivo. Neste caso, nós estaremos em um território extremamente interessante," diz Farde.


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