Bactéria da leptospirose escapa das defesas do organismo

Bactéria da leptospirose escapa das defesas do organismo
Pesquisadores brasileiros explicam como espécies de Leptospira conseguem escapar do sistema imunológico humano.
[Imagem: USP]

Vacina contra a leptospirose

Um artigo publicado pelo Instituto Butantan, em parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, explica como as bactérias do gênero Leptospira, causadoras da leptospirose, escapam das defesas imunológicas do organismo.

O estudo pode ajudar, no futuro, no desenvolvimento de uma vacina humana contra a leptospirose, provocada pelo contato com água contaminada.

"O objetivo da pesquisa era conhecer os mecanismos relacionados à patogenese da leptospirose", explica Ângela Barbosa, pesquisadora do Instituto Butantan é uma das autoras do artigo. No início do trabalho, Ângela e a professora do ICB, Lourdes Isaac, outra autora do estudo, já sabiam que algumas espécies de Leptospira causam a doença e outras não. A partir dessa informação, levantaram a hípótese de que as espécies que provocavam leptospirose conseguiam escapar do sitema imunológico.

Sistema complemento

As observações em laboratório confirmaram esta suposição. As pesquisadoras descobriram que a bactéria se une a uma proteína do corpo e assim se "protege" do sistema complemento - o sistema complemento é formado por mais de 30 proteínas que têm a função de defender o corpo; uma parte delas ativa o sistema e outra regula essa ativação, para que o sistema não ataque as células do próprio corpo.

Uma dessas proteínas reguladoras do hospedeiro, a C4BP, é incorporada pelas bactérias do gênerio Leptospira para escapar do sistema complemento. "É uma bactéria muito adaptada, ela usa nossas próprias moléculas para se proteger", explica Lourdes. O resultado da ligação da bactéria com a proteína é a maior sobrevida deste patógeno no corpo do hospedeiro, aumentando as possibilidades do desenvolvimento da doença.

Bactérias patogênicas e não-patogênicas

O próximo passo da pesquisa é descobrir o que as espécies patogênicas que provocam a doença têm de diferente das que não causam leptospirose. "Nós já conhecemos um mecanismo de escape de Leptospira no organismo, mas, provavelmente, há outros", questiona Ângela.

Para o desenvolvimento de uma futura vacina será necessário melhor compreender a interação deste patógeno com o hospedeiro. "Esse é um objetivo secundário", diz a pesquisadora do Butantan. "Por enquanto, nós estamos tentando entender qual é o comportamento dessa bactéria para que, no futuro, uma vacina humana eficaz contra a doença possa ser desenvolvida".

Leptospirose no Brasil

No Brasil, a maioria das infecções por Leptospira ocorre através do contato com águas de enchentes contaminadas por urina de ratos. As bactérias penetram através de lesões na pele, ou por ingestão de água contaminada. Todos os anos são registrados, em média, 10.000 casos da doença no País, de acordo com estatística de 2007 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mas provavelmente há mais ocorrências não-diagnosticadas.

"Em geral, chegam a ser notificados apenas os casos mais graves", aponta Ângela Barbosa. Muitos dos sintomas da leptospirose são comuns àqueles de outras doenças tropicais, como febre, dor de cabeça, dor no corpo. Por isso, a doença pode ser confundida com outras enfermidades.


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