Bezerra transgênica foi projetada para produzir leite antialérgico

Improvável?

A bezerra geneticamente modificada nasceu sem rabo, mas os pesquisadores dizem que é "improvável" que isso se deva à modificação genética que eles fizeram nela.

O objetivo é que o animal possa produzir leite sem beta-lactoglobulina, uma proteína do soro do leite à qual algumas pessoas são alérgicas.

Ela ainda não ficou prenhe, logo, não começou a produzir leite normalmente.

Mas os cientistas não quiseram esperar e usaram hormônios para apressar o início da produção de leite no animal.

Em um artigo na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences, os pesquisadores afirmam que "Todas as amostras de leite da bezerra transgênica foram desprovidas de beta-lactoglobulina".

Eles concluíram que a técnica é uma "ferramenta eficaz" para modificar animais de pecuária.

Beta-lactoglobulina

A modificação genética foi feita na bezerra por cientistas da Universidade Waikato, na Nova Zelândia.

O estudo foi considerado um marco por cientistas, mas alguns grupos de ativistas afirmam que ele levanta preocupações éticas.

O primeiro deles é a divulgação do estudo antes mesmo que o animal produzisse leite de forma "natural". Uma das prováveis razões para isso é que animais transgênicos costumam ter vida curta.

Há grandes diferenças entre o leite materno e o leite de vaca, e a beta-lactoglobulina é apenas uma delas - a proteína está presente no leite de vaca, mas não no leite materno.

As instruções para a produção da beta-lactoglobulina, que normalmente estão contidas no DNA da vaca, foram "desativadas" por meio de uma técnica chamada de RNA de interferência.

Questões científicas e éticas

O professor Keith Campbell, da Universidade de Nottingham, que integrou a equipe que clonou a ovelha Dolly, disse que o teste mais importante será o de quanto tempo a modificação genética vai durar.

Ele afirma que, para cumprir totalmente os objetivos de um animal produtor de leite antialérgico, os pesquisadores precisariam mostrar que o efeito durou por toda a vida de cada vaca e foi transmitido por várias gerações.

Pete Riley, do grupo GM Freeze, disse: "Antes que isso vá adiante, eles precisam estabelecer qual foi a causa do defeito no bezerro, já que há uma possível ligação com o fato de ser geneticamente modificado".

Riley disse que a compreensão sobre o papel dos genes e como eles interagem ainda é muito frágil e que ainda é necessário desenvolver mais pesquisas básicas.

"Nós podemos aprender muito ao olhar para organismos menos complicados que o gado," disse.


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