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23/05/2012

Boxe olímpico também danifica o cérebro

Redação do Diário da Saúde
Boxe olímpico também danifica o cérebro
Golpes repetidos na cabeça, mesmo sobre o "capacete" usado pelos boxeadores olímpicos, liberam marcadores de lesão cerebral de forma semelhante ao que é registrado após outros tipos de traumatismo craniano. [Imagem: University of Gothenburg]

Nocaute no boxe olímpico

Pugilistas olímpicos podem apresentar alterações nos fluidos do cérebro após receberem golpes, apesar de toda a proteção que usam.

Essas alterações indicam danos nas células nervosas.

A conclusão é de um estudo com 30 pugilistas suecos de alto nível, realizado na Universidade de Gotemburgo, em colaboração com a Federação Sueca de Boxe.

As conclusões foram publicadas na revista científica PLoS ONE.

Traumatismo craniano

Tem sido debatido há algum tempo se o boxe olímpico - também chamado boxe amador - é perigoso para o cérebro.

O estudo mostrou que golpes repetidos na cabeça, sobre o "capacete" usado pelos boxeadores olímpicos, liberam marcadores de lesão cerebral para o fluido cerebral, de forma semelhante ao que é registrado após outros tipos de traumatismo craniano, bem como em doenças neurológicas, como a doença de Alzheimer.

"Nosso estudo mostra que, depois das lutas, alguns dos pugilistas tinham concentrações elevadas de quatro diferentes proteínas no fluido cerebral, todas sinalizadoras de danos às células nervosas do cérebro. Além disso, duas dessas proteínas continuaram em níveis elevados após o período de repouso," disse Sanna Neselius, líder do estudo.

Segurança no boxe

Sanna Neselius conhece bem o boxe.

Ela foi boxeadora de elite, classificada como uma das melhores pugilistas do sexo feminino no mundo, tanto no boxe olímpico quanto no profissional.

Ao final de sua carreira, ela assumiu a carreira de cientista.

Ela detectou as alterações nas proteínas que indicam danos cerebrais em 80% dos pugilistas estudados - nenhum deles havia perdido a luta por nocaute, e apenas um dos pugilistas mencionou sintomas após um golpe na cabeça.

"Eu espero que esses resultados sejam levados a sério por outras federações de artes marciais, onde as normas de segurança não são tão bem definidas como no boxe," disse Neselius.

"Nós precisamos discutir os resultados e como podemos aumentar a segurança médica para os boxeadores, tanto durante o treinamento, como durante as competições," concluiu.


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