Brasil avalia mudanças no protocolo de microcefalia

Além da microcefalia

O maior estudo já realizado sobre o vírus zika aponta que sinais e sintomas de alterações neurológicas sejam incluídos como critérios para trigam de bebês, independente da presença de microcefalia.

A principal conclusão é que a microcefalia e o histórico de exantema durante a gestação são critérios insuficientes para identificar as consequências da infecção pelo vírus zika em recém-nascidos, dando suporte a estudos anteriores que mostraram que a microcefalia não é o único risco para os bebês cujas mães foram infectadas pelo zika.

Foram analisados 1.501 bebês que já haviam sido investigados pelas secretarias estaduais e municipais de saúde, sendo este o maior estudo já feito sobre o tema no mundo - antes, o maior estudo havia analisado 104 crianças.

O trabalho foi realizado em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Sociedade Brasileira de Genética Médica, o Centro Latino Americano de Perinatologia da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS/OMS) e a Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, e publicado na revista científica The Lancet.

Protocolo para zika na gestação

O Ministério da Saúde afirmou que vai levar em consideração os resultados do estudo na definição dos critérios e do protocolo usado até agora para avaliação do impacto da infecção do vírus zika em mulheres grávidas.

"Estamos adequando nossos protocolos a esses achados para ampliar as investigações e melhorar nosso sistema de vigilância. Neste momento, o Brasil e o mundo já acumularam mais conhecimentos sobre a doença e podemos, com esse aprendizado, aprimorar o monitoramento das consequências da infecção congênita pelo vírus zika," explicou o coordenador-geral de Vigilância e Resposta às Emergências em Saúde Pública, do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira.

No começo das investigações da epidemia, em novembro de 2015, o Ministério da Saúde adotou uma definição de caso mais sensível para identificar a microcefalia, tendo como critério 33 cm de perímetro cefálico para recém-nascidos de ambos os sexos. Essa definição foi, posteriormente, alterada para 32 cm. A adoção dessas definições mais sensíveis permitiu identificar que 20% das crianças com alguma condição de importância clínica não apresentavam microcefalia.


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