Brasil começa a corrigir atraso na área biofarmacêutica

O setor biofarmacêutico brasileiro está com cerca de 30 anos de atraso em relação aos países desenvolvidos, de acordo com Leda Castilho, professora de Engenharia Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).

Nos últimos anos, porém, o governo federal detectou esse atraso e o seu impacto na balança comercial e começou a investir na área, ressalva a pesquisadora.

Produtos biotecnológicos

Leda Castilho salientou que há um déficit grande na área de saúde, em grande parte decorrente da necessidade de importar produtos biotecnológicos para a saúde humana.

Algumas empresas biofarmacêuticas foram criadas, individualmente ou em consórcio com outras companhias, apoiadas por financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através do Profarma, o programa de apoio ao setor - foram R$ 617 milhões nos últimos dez anos.

Os investimentos permitiram, inclusive, que uma das empresas financiadas, a Recepta Biopharma, criasse um produto inovador (anticorpo monoclonal) que acaba de ser licenciado para os Estados Unidos, visando o desenvolvimento de remédio para o tratamento de câncer.

Segundo Leda, é a primeira vez que o Brasil não está comprando uma tecnologia do exterior. Ao contrário, "estamos vendendo para os EUA a tecnologia de um novo produto, moderno, para a saúde humana". As vendas do setor de biofármacos superaram US$ 160 bilhões no ano passado. "Hoje em dia, o setor biofarmacêutico já representa 20% das vendas da indústria como um todo. E é um percentual crescente", adiantou.

A professora Leda informou que dos 41 mil novos produtos para a saúde humana com testes clínicos em andamento no mundo, 40% são produtos biotecnológicos. "O setor biofarmacêutico está se tornando cada vez mais importante", segundo ela. Na avaliação dela, o Brasil está dando os primeiros passos para participar desse mercado mundial. "Está montando as primeiras fábricas para passar a produzir daqui a alguns anos", disse.

Biofármacos

Biofármacos são produtos biológicos usados para fins terapêuticos.

Existem medicamentos tradicionais, como aspirinas, por exemplo, que são produzidos por síntese química. Mas, desde a década de 1980, começaram a chegar ao mercado medicamentos produzidos por biotecnologia.

"São medicamentos que a molécula é muito mais complexa. Por isso, não dá para produzir pelas vias tradicionais, e tem que usar biotecnologia na fabricação. Eles usam células que foram, um dia, isoladas a partir de animais. Essa ferramenta é utilizada para produzir os modernos medicamentos biotecnológicos," explicou Leda.

Uma das ferramentas utilizadas é a manipulação genética das células, visando a produção de uma cópia de uma proteína humana, por exemplo - para que ela possa ser injetada em um paciente e suprir uma deficiência que ele tenha em produzir aquela proteína, como ocorre em doentes com hemofilia.


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