Brasileira ganha prêmio internacional por pesquisa sobre zika e Chagas

Brasileira ganha prêmio internacional por pesquisa sobre zika e Chagas
Rafaela Ferreira, professora da Universidade Federal de Minas Gerais, ganhou prêmio da Unesco, que reconhece o trabalho de mulheres cientistas que mais se destacaram no mundo no ano passado.
[Imagem: EBC]

Talento em ascensão

A pesquisadora mineira Rafaela Ferreira, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco) em reconhecimento ao trabalho de mulheres cientistas que mais se destacaram no mundo em 2017.

Única representante da América Latina entre as 15 vencedoras do International Rising Talents (talentos internacionais em ascensão, em tradução livre), Rafaela recebeu uma premiação de €15 mil para dar continuidade a uma pesquisa que busca desenvolver medicamentos para o tratamento do vírus zika e da doença de Chagas.

A cientista ganhou, no ano passado, a versão brasileira dessa premiação, o Para Mulheres na Ciência. Com esse reconhecimento, ela espera obter mais apoio e visibilidade para o desenvolvimento das suas pesquisas, cujo objetivo é descobrir substâncias que sejam capazes de alterar a estrutura de funcionamento do protozoário causador da doença de Chagas e do vírus que provoca a zika, inibindo, assim, a ação desses agentes no corpo humano.

"De um ponto de vista mais prático, o problema que a gente tem é o alto investimento necessário para desenvolver um medicamento, e que vai ficando cada vez caro maior conforme o avanço do seu estágio do desenvolvimento," explicou ela. Conhecidas como doenças negligenciadas, Chagas e zika historicamente não atraem o interesse da indústria farmacêutica, que preferem investir em medicamentos que possam dar maior retorno financeiro.

"O Chagas, por exemplo, foi descrito há mais de 100 anos [pelo cientista brasileiro Carlos Chagas] e até hoje a indústria farmacêutica simplesmente não investe muito nisso porque é uma doença que afeta países mais pobres. É muito importante ter um esforço de instituições públicas para que a gente possa avançar no desenvolvimento desses fármacos", observou a pesquisadora.

Retorno da doença de Chagas

Apesar de ter recebido, em 2006, o selo da Organização Mundial da Saúde que certifica o país como livre da transmissão da doença pela picada do mosquito barbeiro (Triatoma infestans), a Doença de Chagas continua circulando no Brasil por meio de outras formas de transmissão, especialmente a oral, que ocorre na ingestão de alimentos triturados com o mosquito.

Isso acontece com o caldo de cana-de-açúcar e açaí, por exemplo, que são triturados com o mosquito sem que as pessoas percebam. O barbeiro é o vetor da doença Chagas, transmitindo para o corpo humano o protozoário Trypanosoma cruzi, que causa a doença.

Já a zika foi registrada pela primeira vez no Brasil em 2015. No ano seguinte, houve um surto da doença - que também é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue e da chikungunya) - com mais de 214 mil casos registrados, o que deu uma taxa de 104,8 registros a cada 100 mil habitantes.

Bem menos letal que a dengue, cerca de 80% dos casos de zika são benignos e as pessoas infectadas nem sequer descobrem a doença. O problema da zika está relacionado à má-formação de fetos, causado pelo vírus em mulheres grávidas infectadas. A síndrome, já reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), resultou em mais de três mil casos de microcefalia em bebês registrados entre janeiro de 2015 e dezembro de 2017.


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