Brasileiro cria substância que pode aposentar obturações

Brasileiro cria substância que regenera dentes
A substância selou totalmente furos introduzidos artificialmente nos dentes dos roedores.
[Imagem: Vitor C. M. Neves et al. - 10.1038/srep39654]

Fim das obturações?

O pesquisador brasileiro Vitor de Carvalho Moreno das Neves, atualmente trabalhando na Universidade Kings de Londres, está por trás de uma inovação que pode aposentar as tradicionais obturações.

Vitor desenvolveu uma substância química capaz de estimular as células da polpa dental a taparem pequenos buracos nos dentes. Os primeiros testes promissores foram feitos em camundongos.

Para isso, uma esponja biodegradável embebida no produto foi colocada na cavidade.

No estudo, publicado pela revista científica Nature Scientific Reports, a equipe escreve que a substância teve efeito reparativo "completo, eficaz e natural".

Vitor das Neves é formado pela PUC de Campinas, já passou pela USP e pela Unicamp, e atualmente está fazendo seu doutoramento no Kings College.

Regeneração dos dentes

Os dentes têm uma capacidade limitada de regeneração. Eles conseguem produzir uma pequena faixa de dentina - a camada abaixo do esmalte - se a polpa ficar exposta, mas não conseguem consertar buracos maiores. Isto é feito hoje com um amálgama metálico ou com um composto feito de vidro em pó e cerâmica, que os dentistas aplicam nas tão conhecidas obturações.

Brasileiro cria substância que regenera dentes
O pesquisador brasileiro Vitor das Neves é o principal responsável pela descoberta da nova substância.
[Imagem: Vitor das Naves/Kings College]

A nova substância, chamada tideglusib, amplia a capacidade regenerativa natural dos dentes aumentando a atividade de células-tronco na polpa dental. Nos experimentos com animais, o produto realizou reparos em buracos de até 0,6 milímetro de diâmetro.

"O espaço ocupado pela esponja fica cheio de minerais enquanto a dentina regenera, então você não tem nada ali que possa falhar no futuro," disse o professor Paul Sharpe, orientador do trabalho. "A esponja é biodegradável, isso é a chave."

A equipe agora quer descobrir como conseguir aumentar o poder de ação da tideglusib, para tapar buracos maiores. "Não acho que vamos esperar muito tempo. Tenho esperanças de que (o tratamento) estará comercialmente disponível em três a cinco anos," prevê Sharp.


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