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24/07/2013

Brasileiros estudam bactérias em busca de novos antibióticos

Com informações da Agência Fapesp

Descobrir os mecanismos biológicos usados por bactérias para infectar as células humanas e driblar o ataque do sistema imunológico e, com base nesse conhecimento, estudar proteínas-alvo para o desenvolvimento de novos antibióticos.

Estes são os objetivos de um projeto de pesquisa coordenado pela brasileira Andrea Dessen de Souza e Silva, atualmente no Instituto de Biologia Estrutural (IBS) de Grenoble, na França.

Mas a pesquisa vem sendo desenvolvida há cerca de um ano no Brasil, no Laboratório Nacional de Biociência (LNBio), em Campinas (SP). Na verdade, acordos com instituições de outros países estão transformando o LNBio em um laboratório internacional, um pólo de atração de pesquisadores de todo o mundo.

Bactérias que explodem

Neste projeto específico, denominado Bacwall, a meta é estudar os mecanismos de virulência que dependem da parece celular bacteriana para funcionar.

Os pesquisadores têm-se concentrado no estudo de uma classe de proteínas bacterianas conhecidas como PBPs (proteínas ligadoras de penicilina), essenciais para a formação da parede celular bacteriana.

"Ao inibir a síntese dessas proteínas, a bactéria literalmente explode, pois a parede celular se torna frágil e incapaz de suportar a pressão interna da célula. Esse é o mecanismo de ação da penicilina e de seus análogos sintéticos. Mas, graças a mutações, muitas bactérias já se tornaram resistentes", disse a pesquisadora.

Segundo Andrea, há um grupo de doenças infecciosas - especialmente as causadas pela bactéria Staphylococcus aureus - que ainda mata mais do que a AIDS e a tuberculose juntas.

"Temos uma população que está envelhecendo e um número cada vez maior de transplantados e de pacientes em tratamento contra o câncer. Estamos ficando mais sensíveis aos micróbios. Por isso, esse tema de pesquisa nos interessa", disse.

Biblioteca de bactérias e fungos

Outros alvos pesquisados são as proteínas macroglobulina e as internalinas.

"[A macroglobulina] existe no sistema imunológico humano e, em 2004, descobriu-se que havia um homólogo nas bactérias. Em nossa pesquisa, mostramos que a estrutura da macroglobulina bacteriana é similar à humana, o que nos leva a crer que a proteína tem como função proteger a bactéria do sistema imune", disse Neves.

Já as proteínas chamadas internalinas são expressadas por bactérias da espécie Listeria monocytogenes, causadoras de infecções alimentares.

Estima-se que as internalinas também façam parte da estratégia bacteriana para fugir do ataque do sistema imunológico.

"Estará disponível ainda, a partir de janeiro de 2014, aqui no LNBio, uma biblioteca de compostos da biodiversidade brasileira com cerca de 10 mil cepas de bactérias e fungos. Se os testes com moléculas compradas forem bem-sucedidos, pretendemos avaliar também as moléculas da biodiversidade brasileira, em colaboração com pesquisadores do Laboratório de Bioensaios do LNBio", contou Andrea.


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