Brasileiros identificam processo de migração de tumores

Pesquisadores brasileiros identificaram um microRNA que parece favorecer processos de migração e invasão tumoral nos casos de câncer de tireoide do tipo carcinoma papilífero.

A descoberta, que abre caminho para o desenvolvimento de novas terapias e de testes que permitam avaliar com maior precisão o prognóstico de pacientes, foi feita no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP).

"Observamos em estudos in vitro que, quando a expressão do microRNA-146b aumenta, as células tumorais apresentam maior capacidade de migração. Já quando a expressão desse microRNA é inibida, as células parecem ter mais dificuldade para sair do lugar", disse Marinilce Fagundes dos Santos, pesquisadora responsável pelo projeto.

Edição biológica

Como o nome sugere, os microRNAs são pequenos pedaços de RNA que, embora não contenham informações para a produção de proteínas, têm um importante papel regulatório no genoma, explicou a pesquisadora.

"O RNA mensageiro é produzido no núcleo celular e segue para o citoplasma onde vai transcrever a proteína. Antes disso, porém, ele passa por um processo de edição, no qual alguns trechos são retirados. Esses trechos cortados dão origem aos microRNAs", disse.

Durante muito tempo, os cientistas acreditaram que essas "sobras" de RNA não passavam de lixo celular, mas estudos conduzidos nos anos 1990 mostraram que elas são capazes de se ligar a diferentes RNAs mensageiros podendo, por exemplo, interromper o processo de transcrição de uma proteína. A expressão alterada de um único microRNA, portanto, pode em alguns casos ser o suficiente para mudar o comportamento celular.

"Existe uma estimativa de que 50% do genoma seja regulado por meio de microRNAs", afirmou Marinilce.

Processos celulares

Estudos anteriores que compararam a expressão gênica em tecido normal de tireoide e em amostras de carcinoma papilífero revelaram que a expressão do microRNA-146b costuma estar aumentada nos casos malignos. O objetivo da pesquisa da USP é desvendar quais processos celulares estariam sendo afetados por esse microRNA.

"Observamos que, ao inibir o microRNA-146b, a célula perde a direcionalidade. É como se as pernas se movessem sem conseguir sair do lugar", contou Marinilce.

De acordo com a pesquisadora, esse resultado sugere que a capacidade de degradação da lâmina basal não está sendo afetada pela superexpressão do microRNA-146b. "Nossa hipótese, portanto, é que esse microRNA esteja de alguma forma regulando o citoesqueleto - estrutura composta por fibras da proteína actina com a função de dar forma e movimento à célula", concluiu a pesquisadora.


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