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03/09/2014

Butantan estuda novo fármaco contra dor inflamatória

Com informações da Agência Brasil

Pesquisadores do Instituto Butantan estão testando um novo fármaco para o combate a dores inflamatórias.

Os testes poderão resultar no desenvolvimento de medicamentos melhores do que os usados atualmente, como a morfina, sobretudo porque o novo composto apresenta menos efeitos colaterais nos pacientes.

O fármaco, chamado Alda-1, foi descoberto em uma parceria entre o Instituto Butantan e a Universidade de Stanford (EUA).

Alcoolismo

Segundo a Dra. Vanessa Olzon Zambelli, a nova molécula sintética também está sendo testada para tratar intoxicações por consumo exagerado de bebidas alcoólicas.

"O mecanismo como ela atua é o mesmo mecanismo que ajuda a eliminar o álcool do organismo," explicou.

O fármaco atua sobre os níveis de uma enzima chamada aldeído desidrogenase 2. O papel da enzima no organismo humano é metabolizar os aldeídos, que são prejudiciais à saúde.

De acordo com Vanessa, essas enzimas são produzidas tanto pelo alto consumo de álcool, quanto por doenças de isquemia do coração ou infarto, quando geram uma resposta inflamatória.

"E a molécula Alda-1 ativa essa enzima, ela faz essa enzima trabalhar mais rápido, com mais potência," disse a pesquisadora.

Testes em cobaias e humanos

A Alda-1, porém, ainda não foi testada em humanos. "Testamos um modelo experimental de inflamação em animais. A gente injetou no animal uma substância química que promove uma irritação, que é característica de uma doença inflamatória. Então, a patinha fica inchada, vermelha e dói. Os testes foram bastante satisfatórios", disse Vanessa.

Segundo a pesquisadora, ainda não há previsão de quando os testes serão feitos com humanos. Os próximos passos são os experimentos, ainda em animais, com dores persistentes e crônicas, como dor neuropática e derivada da artrite.

Os pesquisadores brasileiros vão aguardar os resultados da universidade norte-americana, que está focada no estudo da intoxicação por álcool, para iniciar o experimento.

"Talvez aqui no Brasil demore um pouco. Através das pesquisas de lá, a gente consegue mostrar que ela [molécula] não é tóxica e, de repente, isso pode antecipar os testes em humanos aqui", disse Vanessa.


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