Café de tucumã é naturalmente descafeinado

Café de tucumã é naturalmente descafeinado
O café de tucumã foi descoberto por uma professora do ensino médio da rede pública do Amazonas, e agora está sendo estudado com vistas à comercialização.
[Imagem: Agência Brasil]

Descafeinado

Produzido com a amêndoa do fruto do tucumã, o café da Amazônia está fazendo sucesso na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Segundo a professora de química Alessandra Lopes Guimarães, coordenadora do estudo, a descoberta do café ocorreu por acaso, na busca de potencialidades do fruto bastante conhecido na Amazônia.

"Junto com meus alunos do ensino médio, ao pesquisar o fruto, começamos a sentir um cheiro muito forte, semelhante ao do café. Depois de algumas análises, chegamos ao produto", contou ela, que é professora da rede pública do Amazonas.

O pó de café de tucumã tem o mesmo aspecto e odor do tradicional, "com o benefício de ser descafeinado", relatou a professora.

Aproveitamento do tucumã

O tucumã é ingrediente de várias receitas amazonenses.

Com a polpa é possível fazer sorvete, iogurte, bolo e o X-Caboclinho, sanduíche regional com presunto, queijo coalho e o fruto. "É o preferido da região", disse a pesquisadora.

A amêndoa do tucumã também pode ser usada para extração de óleo, manteiga e azeite.

O fruto do tucumanzeiro, palmeira espinhosa que chega a alcançar 15 metros de altura, é colhido ao cair, quando maduro.

A casca também é aproveitada para produção de adubo, e o caroço serve para artesanato.

"Nós que vivemos em comunidades rurais e ribeirinhas temos dificuldades de ir até a cidade, muitas vezes por falta de acessibilidade. Para compensar, aproveitamos ao máximo todas as possibilidades que a mata tem a nos oferecer. Então, com esse fruto, que nasce dentro da mata bruta, extraímos o máximo de possibilidades. Ela não deixa nos faltar nada", ressaltou.

Café de tucumã

De acordo com Alessandra Lopes, o café de tucumã está em fase experimental e ainda não é produzido comercialmente.

"Por meio da extração do óleo do tucumã, demonstramos, por exemplo, que as riquezas naturais de nossa região são infinitas e podem servir como alternativa alimentícia saudável. Utilizados de maneira adequada, estes recursos podem, inclusive gerar renda aos que vivem na Amazônia," citou a professora.

Aplicado nos anos de 2011 e 2012, o projeto "Produção de café por meio da extração do óleo de tucumã" teve como bolsistas e participantes diretos os estudantes Israel Fernandes, Egle Angélica, Taiane dos Santos, Késsia Jéssica e Jéssica dos Santos, todos do 2º e 3º ano do ensino médio da escola estadual Gilberto Mestrinho, localizada em Tefé.


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