Câncer de mama será principal alvo da Rede Brasileira do Câncer

Reunindo cientistas

Unificar as pesquisas sobre câncer, integrar pesquisadores que trabalham em diferentes áreas e estimular ações coordenadas nas linhas de pesquisa básica e clínica, são objetivos da mais nova ação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Ministério da Saúde (MS) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): a Rede Brasileira de Pesquisas sobre o Câncer, que reunirá pesquisadores que trabalham em laboratório, diretamente com pacientes e os que trabalham com abordagem epidemiológica populacional. O coordenador do Programa de Saúde Pública e Meio Ambiente da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Sergio Koifman, será um dos componentes dessa rede e atuará como coordenador da área de epidemiologia.

Num primeiro momento, as pesquisas estarão direcionadas para tumores prevalentes no Brasil. O objeto inicial de estudos da rede será a biologia do câncer de mama, primeira causa de câncer entre as mulheres em nosso país.

População urbana e idosa

Com a estimativa de 465 mil novos casos em 2009, o câncer representa a segunda maior causa de morte no país, sendo responsável ainda por cerca de 13% de todas as mortes ocorridas no mundo, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

"O processo de envelhecimento da população, o atual quadro de exposições ambientais - de uma sociedade cada vez mais urbana e com diferentes níveis de exposição a substâncias químicas -, a alta prevalência de fumo e consumo de álcool e o alto consumo de gordura animal são fatores que tornam o problema do câncer algo presente entre nós não só agora, mas para os próximos anos também. A tendência é de ele se tornar mais presente, pois, atualmente, mantém um papel preponderante no nosso quadro saúde", avaliou Koifman.

Planejando os esforços

De acordo com o pesquisador, esse quadro motivou a criação da Rede, que foi lançada este mês, e inicialmente contará com 19 grupos, com pesquisadores de todo país. A ação inicial para a sua articulação foi o lançamento de um edital conjunto do CNPq e Ministério da Saúde, no segundo semestre de 2008, com vistas ao planejamento de esforço conjunto e alinhado de diferentes pesquisadores interessados no tema câncer. A partir daí, houve uma manifestação direta do CNPq de fomentar, de forma proativa, a integração entre os pesquisadores dos diferentes campos do conhecimento, e daí se deu a construção da rede.

A intenção é ter uma descrição mais detalhada dos problemas da doença, permitindo avanços no conhecimento e no fornecimento de subsídios para a tomada de decisões para as políticas de saúde, além de propiciar melhorias na qualidade de vida da população.

Genética do câncer de mama

Num primeiro momento, as pesquisas estarão direcionadas para tumores prevalentes no Brasil, e por isso o objeto inicial de estudos da rede será a biologia do câncer de mama, primeira causa de câncer entre as mulheres. Desse modo, segundo o pesquisador, o grupo de pesquisa básica está fazendo uma atividade de sequenciar o genoma completo de uma paciente brasileira com esse tipo de câncer. As informações geradas pelo projeto permitirão aumentar o leque de marcadores moleculares para o diagnóstico e prognóstico da doença, assim como levar à identificação de novos alvos terapêuticos, diminuindo dessa forma a mortalidade e morbidade associadas ao câncer de mama.

Com relação ao grupo de epidemiologia que coordena, Sergio afirmou que há o interesse de fomentar um estudo longitudinal de investigação sobre câncer no país. "Cada população possui suas características específicas. A população brasileira guarda características que merecem ser estudadas por nós e não são estudadas em outros centros, tanto do ponto de vista das causas e da distribuição como também envolvendo tratamento. Portanto, essa é a iniciativa que o CNPq vem fomentar, para que haja um esforço coletivo do conjunto de pesquisadores no sentido de trabalharem cada vez de forma mais próxima em termos de questões comuns".


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