Câncer de fígado misterioso intriga cientistas

O câncer de fígado é o sexto tipo de câncer mais comum no mundo e o terceiro mais mortal.

Ele afeta principalmente homens com idade superior a 40 anos, que têm cirrose ou hepatite B ou C.

Mas, no Peru, a doença começou a afetar excepcionalmente indivíduos jovens, incluindo crianças, e mulheres.

E, o que é mais intrigante, nenhum dos pacientes apresenta qualquer um dos fatores de risco já identificados para a doença.

Mulheres e crianças

Uma equipe de cientistas peruanos e franceses, que tentou desvendar o mistério, destaca que o assunto é particularmente preocupante: os pacientes, cuja idade média é de 25 anos, são todos de uma mesma área geográfica, situada nos Andes.

Assim, parecia fácil identificar o que estava causando a doença. Mas não foi o que a equipe obteve em seus estudos.

Eles coletaram características demográficas, fatores de risco e a origem de mais de 1.500 pacientes de todo o país, admitidos entre 1997 e 2010 no Instituto Nacional de Doenças Neoplásicas (INEN) de Lima.

Os resultados foram inconclusivos.

Metade dos indivíduos afetados não corresponde em absoluto ao perfil das pessoas com risco de câncer de fígado. Elas são jovens, até crianças, que não apresentam nem hepatite e nem cirrose.

Além disso, um terço das pessoas afetadas é do sexo feminino, ao contrário do que é descrito em outras partes do mundo, onde a doença afeta homens em uma proporção muito maior.

Outra particularidade é que a grande maioria dos pacientes apresenta tumores muito grandes, com mais de 10 centímetros de diâmetro.

Agente infeccioso desconhecido

Os pesquisadores definiram um foco da doença misteriosa na região de Apurimac, nos Andes peruanos.

As primeiras análises parecem descartar uma possível fonte alimentar, associada ao consumo de produtos agrícolas que contenham micotoxinas, substâncias fúngicas e sabidamente um dos fatores de risco para o câncer de fígado.

Ainda não foi explorada a hipótese de intoxicação devido à contaminação do solo e das águas subterrâneas por poluentes resultantes das atividades humanas na região andina.

Como ainda não têm nenhuma pista, os cientistas também levantam a possibilidade de que haja um agente infeccioso não identificado e ainda desconhecido.


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