Carne artificial poderá estar no mercado em cinco anos

Carne artificial poderá estar no mercado em cinco anos
O maior desafio está sendo reproduzir a textura e o sabor da carne animal.
[Imagem: BBC]

Carne artificial

A equipe de pesquisadores holandeses que conseguiu sintetizar o primeiro hambúrguer de laboratório afirma que espera começar a vender o produto dentro de cinco anos.

Os cientistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, montaram uma nova companhia para transformar a carne artificial em um hambúrguer que seja, segundo eles, mais saboroso e barato.

"Estou confiante que, quando for oferecido como uma alternativa à carne, um número cada vez maior de pessoas vai achar difícil não comprar nosso produto por razões éticas," disse o diretor da nova empresa, Peter Verstrate.

"Acredito que vamos colocar (o produto) no mercado em cinco anos", disse o professor Mark Post, que desenvolveu a carne artificial nos laboratórios da Universidade de Maastricht.

Post acrescentou que, inicialmente, o produto estaria disponível apenas sob encomenda, mas, quando a demanda pela carne artificial se estabelecer e o preço cair, deve chegar às prateleiras de supermercados.

Hambúrguer de células-tronco

O hambúrguer artificial é feito a partir de células-tronco, aquelas que podem se desenvolver em qualquer tipo de tecidos.

A maioria dos pesquisadores que trabalha com células-tronco tenta cultivar tecido humano para transplantes ou para substituir tecido muscular doente, células nervosas ou cartilagem.

Mark Post, no entanto, usa essas células para cultivar músculo e gordura para a fabricação dos hambúrgueres artificiais.

Receita de carne artificial

O processo começa com células-tronco retiradas do músculo de uma vaca. No laboratório, essas células são colocadas em uma cultura - uma solução - com nutrientes e elementos químicos que promovem seu aumento para ajudá-las a crescerem e se multiplicarem.

Três semanas depois, já são mais de um milhão de células-tronco, que são divididas e colocadas em recipientes menores. As células já crescidas se transformam em pequenas tiras de músculo de aproximadamente um centímetro de comprimento e apenas alguns milímetros de espessura.

As pequenas tiras são então coletadas e juntadas em pequenos montes, coloridas e misturadas com gordura.

Um especialista gastronômico que provou a iguaria disse que o gosto estava "próximo da carne, mas não era tão suculento", mas outro disse que tinha gosto de um hambúrguer de verdade.

Fábrica de carne

Verstrate e Post, com apoio da Universidade de Maastricht, criaram uma empresa, a Mosa Meat, para sintetizar carne moída no laboratório de forma que ela seja tão saborosa quanto a carne real e a um custo igual ao da carne moída vendida hoje.

Nos últimos dois anos, Post e sua equipe progrediram nas pesquisas, mas o cientista percebeu que, para colocar o produto no mercado em um prazo de cinco anos, terá que acelerar os estudos.

A Mosa Meat vai empregar 25 cientistas, técnicos de laboratórios e gerentes. Um dos objetivos principais é descobrir como iniciar a produção em massa dessa carne.

Os pesquisadores também vão analisar formas de fazer costeletas usando impressoras 3D. Mas vai demorar um pouco mais para comercializar esses produtos.


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