Desenvolvida carne bovina mais saudável e com menos colesterol

Carne bovina mais saudável e com menos colesterol
Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma carne bovina enriquecida com vitamina E, selênio e óleo de canola, o que resultou em uma carne com menor nível de colesterol.
[Imagem: Agência Fapesp]

Além de diferentes tipos de corte, os apreciadores da carne bovina poderão brevemente encontrar nos açougues e supermercados do país versões mais saudáveis do produto.

Na luta pela dieta saudável, a carne é considerada uma vilã, em razão de seu elevado teor de ácidos graxos saturados e de colesterol.

Mas o socorro já está a caminho, pelas mãos de pesquisadores da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, em Pirassununga (SP).

A equipe desenvolveu uma carne bovina enriquecida com vitamina E, selênio e óleo de canola, o que resultou em uma carne com menor nível de colesterol.

"Suplementamos a ração de bois da raça Nelore com uma dose elevada de selênio orgânico durante um período de três meses de engorda e constatamos que, além de aumentar a quantidade de selênio no sangue dos animais, o teor desse mineral na carne produzida chegou a ser quase seis vezes maior do que a carne de bovinos que não tiveram a ração suplementada", conta o professor Marcus Antônio Zanetti.

"O colesterol no sangue e na carne dos animais que tiveram a ração suplementada com níveis elevados de selênio também diminuiu significativamente", afirmou.

Análises em humanos

A fim de avaliar se a ingestão da carne dos animais que tiveram a ração suplementada com selênio também causava o aumento da disponibilidade do mineral e a diminuição de colesterol no sangue de humanos, os pesquisadores realizaram um estudo com idosos de uma instituição assistencial em Leme, no interior de São Paulo.

De acordo com o pesquisador, foi escolhido um grupo de idosos para participar do estudo porque em geral eles apresentam queda da imunidade e de anemia por deficiência de ferro e de proteína.

As análises de amostras de sangue coletado dos idosos indicaram que também aumentou a quantidade do mineral no plasma sanguíneo após 45 dias de consumo da carne.

"As análises do nível de colesterol no sangue dos idosos que consumiram a carne ainda não foram concluídas", disse Zanetti. "Mas já pudemos observar que houve um aumento da disponibilidade de vitamina E e de selênio no sangue dos que consumiram a carne por mais de 45 dias."

Selênio

De acordo com Zanetti, o selênio é considerado um importante mineral antioxidante, porque impede a formação de radicais livres, auxilia no combate infecções e aumenta a imunidade.

Estudos realizados na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP comprovaram, no entanto que, à exceção da população da região Norte, onde há alto consumo de castanha-do-pará, rica em selênio, a dieta dos brasileiros é deficiente no mineral, em razão do baixo nível do composto na maioria dos solos no país.

O desenvolvimento de produtos, como a carne suplementada com selênio, pode contribuir para melhorar o nível desse mineral na dieta da população brasileira, avaliou o pesquisador.

"O consumo diário de 200 gramas da carne suplementada com o selênio é capaz de fornecer a dose diária recomendada de consumo do mineral [de 50 microgramas]. Ao consumir diariamente 100 gramas da carne, uma pessoa adulta já atinge 50% de suas necessidades diárias do mineral", informou o pesquisador.


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