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22/08/2014

Células geneticamente idênticas comportam-se de forma diferente

Redação do Diário da Saúde
Células geneticamente idênticas comportam-se de forma diferente
Recentemente descobriu-se um novo código escondido no DNA. [Imagem: Andrew B. Stergachis et al./Science]

A visão quase ingênua que se difundiu nas últimas décadas sobre o determinismo da genética humana e o papel do DNA vem-se desfazendo rapidamente.

Isto tem levado a uma certa decepção com o DNA para alguns, conforme surgem indícios de que até mesmo uma amizade pode impactar nossos genes.

Por outro lado, conforme o aprofundamento do conhecimento ocupa o lugar da visão simplista inicial, são maiores as chances de que esse conhecimento possa ser usado em benefício do homem.

A última novidade na área vem da constatação de que células geneticamente idênticas podem reagir de forma diferente aos sinais químicos naturais do corpo e aos medicamentos que usamos para combater doenças.

Identidade genética

Apesar ser óbvio que todas as pessoas são muito diferentes umas das outras, encontrar evidências de que células que consideramos idênticas são diferentes surpreendeu os cientistas.

Quando uma célula se divide para formar duas novas células idênticas, elas têm exatamente o mesmo DNA e vivem exatamente no mesmo ambiente.

Isso levou a se pressupor que um composto químico - um medicamento, por exemplo - afetaria essas células da mesma maneira.

Mas, de alguma forma, os genes das duas células aparentemente idênticas produzem proteínas em níveis diferentes, segundo o trabalho da equipe do Dr. Henrik Dohlman, da Universidade da Carolina do Norte (EUA).

Segundo ele, isto pode significar que, nos seres humanos, mesmo células geneticamente idênticas podem responder a um medicamento de maneiras diferentes. Ou as células de um organismo invasor, como durante uma infecção bacteriana, podem responder a um antibiótico de maneiras inesperadas.

Não somos máquinas

Mesmo que apenas uma em cada 100 células reaja de forma diferente a uma quimioterapia, por exemplo, ela poderá escapar do medicamento e ocasionar o retorno da doença.

A diferença entre essas células é devida ao que Dohlman e seus colegas chamam de ruído bioquímico.

Este tipo de ruído - ou variabilidade célula-a-célula - foi documentado em células bacterianas, células de levedura e em células humanas.

E por que isso acontece?

"Porque é exatamente isso o que acontece na biologia," disse Dohlman. "Nós não somos máquinas."

"Os cientistas acreditam que algum ruído é positivo, porque pode permitir que as células se adaptem rapidamente às mudanças no ambiente. Por outro lado, acredita-se que o ruído bioquímico ajude as células tumorais a escapar da destruição pela quimioterapia," conclui ele.


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