Células transplantadas no cérebro para tratamento de Mal de Parkinson também são afetadas pela doença

Processo degenerativo contínuo

Neurônios enxertados no cérebro de uma paciente com Mal de Parkinson há quatorze anos atrás desenvolveram a patologia do corpo de Lewy, o elemento definidor da doença.

A descoberta sugere que o Mal de Parkinson é um processo contínuo que pode afetar as células enxertadas no cérebro da mesma forma que ele afeta os neurônios produtores de dopamina na substância negra do cérebro, segundo Jeffrey H. Kordower, coordenador da pesquisa, publicada na revista Nature.

Enxertos de células-tronco

"Estas descobertas diminuem um pouco o valor da estratégia da substituição celular para o Mal de Parkinson," diz Kordower. "Nós precisamos continuar a investigar vigorosamente esse enfoque dentre o conjunto de terapias de base cirúrgica contra o Mal de Parkinson. Embora não esteja claro para nós se os enxertos de células-tronco terão o mesmo destino, a próxima geração de procedimentos de substituição celular, este estudo sugere que as células enxertadas podem ser afetadas pelo processo da doença."

No estudo, uma mulher com um histórico de 22 anos com Mal de Parkinson recebeu um transplante de células fetais em 1993, para reverter a perda no cérebro de dopamina estriatal.

Sintomas do Mal de Parkinson

Após o transplante, ela experimentou melhoras nos sintomas da doença e passou a necessitar de doses substancialmente menores de medicações antiparkinsonianas. Seu índice UPDRS (Unified Parkinson Disease Rating Scale) continuou melhorando até 1997. Mas, a partir de 2004, ela experimentou uma piora progressiva nos sintomas da doença.

Ela morreu em 2007, e seu cérebro e de dois outros pacientes do estudo foram cuidadosamente analisados. Ela teve a maior sobrevida após a transplantação que havia sido relatada até então.

Benefícios do transplante

Estudos posteriores não indicaram benefícios clínicos para a transplantação, embora tenham sido observadas melhoras significativas em uma subpopulação de pacientes.

Estudos post mortem de indivíduos no estudo mostraram uma significativa sobrevida dos neurônios implantados, sugerindo que as células não foram afetadas pelo Mal de Parkinson porque "Como a doença de Parkinson progride ao longo de décadas, nós acreditamos que os indivíduos não vivam o suficiente para que a patologia se desenvolva nas células transplantadas," diz Kordower.

Causas do Mal de Parkinson

Os cientistas têm debatido há muito tempo se o Mal de Parkinson resulta de um ataque agudo ou eventual, ou se ele é um processo patológico progressivo que continua a afetar os neurônios sadios, segundo Kordower. Esta pesquisa indica que os mecanismos e as moléculas responsáveis pelo início do processo degenerativo continuam presentes em estágios avançados da doença e são capazes de afetar os neurônios transplantados. Além disso, o processo que destrói os neurônios de dopamina não fica restrito ao cérebro intermediário.

"As descobertas também sugerem que tanto pode ser um fator patogênico no cérebro que afeta os neurônios produtores de dopamina, quanto um processo patológico que pode se espalhar de um sistema celular para outro," diz Kordower. "Essas descobertas têm implicações cruciais para se entender o que causa o Mal de Parkinson e o potencial da estratégia de transplante celular para reverter os sintomas motores."


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