Centro de nanotecnologia e engenharia de tecidos é aberto em São Paulo

Pesquisas em nanotecnologia

O primeiro centro de nanotecnologia e engenharia tecidual do Brasil aplicado especificamente à saúde já está em funcionamento na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Coordenado pelo professor Antonio Claudio, da USP, o espaço de 200 metros quadrados vai ampliar a produção de medicamentos nanoestruturados para o tratamento de câncer de pele com a aplicação com laser (fármacos fotoativados), além da produção em escala da pele artificial, usada para recuperação de queimados e tratar problemas cicatriciais em geral.

Medicamentos fotoativados

Segundo o coordenador do Centro, o tratamento de câncer de pele com fármacos fotoativados já está consolidado em projetos de pesquisa em parceria com cinco centros ambulatoriais no País: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade de Brasília (UnB-HRAN), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Centro de Excelência do Tratamento de Câncer de Belém do Pará.

"Queremos chegar a 12 centros ambulatoriais parceiros até o final do ano", diz.

Veículo nanoestruturado

Além de medicamentos para uso envolvendo fotoativação luminosa, o grupo coordenado pelo professor Tedesco também produz medicamentos com outros princípios ativos, não fotoativados.

Ele diz que as moléculas ativas dos medicamentos são algumas vezes as mesmas usadas em outras formulações. O diferencial é o veículo nanoestruturado pelo qual esse remédio é introduzido no organismo.

"É uma nova roupagem para velhos fármacos, que atingem alvos específicos, por isso a resposta tem sido melhor com redução de efeitos colaterais indesejáveis", comemora.

No tratamento do câncer não melanômico, por exemplo, ele diz que já foram atendidos mais de 600 pacientes e o índice de cura chega a 98% na primeira aplicação e 100% após uma segunda aplicação.

Pele artificial

A produção de pele artificial, que atualmente só é feita por indústrias, deve chegar a 100 cm²/mês no Centro de Nanotecnologia e Engenharia Tecidual da USP de Ribeirão Preto e ser utilizada não só para queimados, mas também em doenças cicatricias e como modelo cutâneo em muitos experimentos.

"Queremos produzir em quantidade e com qualidade assegurada para tratamento de doenças e pesquisa. A distribuição desse material não é realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e sim por meio de convênios de pesquisas entre a USP e os centros interessados, sendo custeado por agências de fomento à pesquisa. Mas a ideia é ter convênio com o Ministério da Saúde para subsidiar a produção e distribuição", enfatiza.

Ortopedia e neurologia

O know how adquirido pelo grupo da USP permitiu que a parceria com a Unifesp avançasse para estudos em outras áreas da medicina, como ortopedia e neurologia, além da própria dermatologia.

No câncer de pele, por exemplo, o próximo passo é tratar com fármacos nanoestruturados pacientes renais transplantados. "Esses pacientes têm maior incidência de câncer de pele, em função das medicações para evitar rejeição do novo órgão, o que leva a baixa imunidade", diz o coordenador da pesquisa professor Mauro Inokihara, do setor de tumores cutâneos da Unifesp.

Na ortopedia, o pesquisador de Ribeirão Preto atua junto ao grupo liderado pelo professor Walter Manna Albertoni, que trabalha em novas terapias para lesões do nervo ciático.

Segundo a professora Sandra Gomes Valente, integrante da equipe do professor Albertoni, as pesquisas ainda estão em desenvolvimento em animais e utiliza uma técnica cirúrgica já existente, a de enxerto de veia. "Esse trabalho é o doutorado de Nicolau Granado Segre e tem de novo o preenchimento dessa veia com nanoesferas que liberam hormônios de crescimento para tratar as lesões do nervo ciático", explica.

Crescimento de nervo

O grupo também deve iniciar nos próximos dias a utilização de um fármaco nanoestruturado que vai permitir o crescimento do nervo danificado numa espécie de trilho. Outro projeto que vai ser iniciado é o de uso de fármacos nanoestruturados para tratar o sistema nervoso central.

Toda produção, lembra Tedesco, respeita acordos de cooperação científica e contempla as regras para futura aprovações dos órgãos competentes, inclusive a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Cosmetologia

Outras duas parcerias já foram feitas pelo Centro de Nanotecnologia e envolvem as áreas de cosmetologia e prevenção à saúde. Uma com o grupo francês LVMH, dono da marca Dior, para avaliação de cosméticos voltados para o rejuvenescimento. "O grupo quer realizar as fases iniciais no Brasil e esse é o primeiro trabalho do laboratório nesta área".

A outra parceria é de cooperação com o INPA, para desenvolver bioinseticidas naturais. "Estamos utilizando a nanotecnologia para garantir uma ação mais prolongada do bioinseticida, e com isso cobrir o horário de pico da propagação da larva dos mosquitos da malária e dengue. Esses ensaios de campo já estão em andamento".

O Centro de Nanotecnologia e Engenharia Tecidual foi criado, segundo Tedesco, com estrutura para certificação internacional. Os investimentos nos últimos anos, oriundos de vários projetos, foram de aproximadamente R$ 1 milhão, entre construção e aquisição de equipamentos e insumos. Os recursos vieram do Ministério da Ciência e Tecnologia, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).


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