Cerca de 60% dos casos de câncer são curáveis, diz oncologista

Cânceres tratáveis

O primeiro número impressiona negativamente: de acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer) 600 mil novos casos de câncer deverão ocorrer entre 2016 e 2017 no Brasil, sobretudo por conta do envelhecimento da população.

O segundo dado, contudo, pode representar um alívio: nos países onde há todas as condições de se tratar a doença, a cura do câncer é possível em aproximadamente 60% dos casos.

E as perspectivas são otimistas, já que a evolução clínica do tratamento oncológico se deu sobretudo nas últimas décadas.

"É tudo muito recente. Tudo o que temos de evolução e melhora se deu nos últimos anos," afirmou Ademar Lopes, especialista em cirurgia oncológica de um dos maiores centros oncológicos do mundo, o A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo. Lopes falou durante um debate promovido pela USP, do qual participou também o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), Gustavo Fernandes.

Queremos mais

"Estamos andando a passos largos. A mortalidade do câncer vem caindo, por estadiamento [processo que determina a extensão do câncer presente no corpo de uma pessoa e onde está localizado], por localização e idade, entretanto a velocidade da cura não é a que a sociedade deseja. Vale lembrar que, historicamente, começamos há muito pouco tempo a trabalhar para a cura do câncer," acrescentou Lopes.

Ele exemplifica citando que, entre 1985 e 1990, quando se descobria que uma mulher tinha câncer na mama, o procedimento era retirar todo o órgão, o que acabava gerando transtornos estéticos, funcionais e psíquicos muito grandes.

Hoje, com o surgimento e evolução do tratamento multidisciplinar, envolvendo a combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia, a mulher, na maioria dos casos, remove apenas um quarto da mama, consegue a cura e não sente tão intensamente a mutilação. "A combinação dessas modalidades terapêuticas é muito importante e contribui para maiores taxas de cura e sobrevida."

Taxas de cura e incidência

Lopes afirma que a taxa de cura é menor em casos de câncer mais agressivos, mas que, em contrapartida, já se consegue curar 80% dos casos de cânceres pediátricos, sendo que na década de 80 se curava apenas entre 20% e 25% das ocorrências.

Para ele, em 70% dos casos de câncer diagnosticados há boas perspectivas para o início do tratamento.

Os tipos de câncer com maior incidência no mundo são os de pulmão (1,8 milhão), mama (1,7 milhão), intestino (1,4 milhão) e próstata (1,1 milhão). Nos homens, os mais frequentes são de pulmão (16,7%), próstata (15,0%), intestino (10,0%), estômago (8,5%) e fígado (7,5%). Já em relação às mulheres, a prevalência é o câncer de mama (25,2%), intestino (9,2%), pulmão (8,7%), colo do útero (7,9%) e estômago (4,8%).


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