Cérebro usa circuitos escondidos para lidar com o estresse

Cérebro usa circuitos neurais escondidos para lidar com o estresse
Um verme, cujo sistema nervoso está marcado com uma proteína fluorescente vermelha, é um modelo mais fácil de estudar por só ter 302 neurônios. Um subconjunto sensorial está marcado com uma proteína fluorescente verde.
[Imagem: Roger Pocock]

Circuitos escondidos do cérebro

Você já se perguntou como você é capaz de realizar tarefas complexas mesmo sob o mais forte estresse?

E como as emoções e as memórias moldam a sua capacidade de viver a sua vida cotidiana?

Somente agora a ciência começa a vislumbrar as primeiras respostas a essas questões. E está encontrando pistas importantes em circuitos "escondidos" no cérebro.

O trabalho pioneiro acaba de ser publicado na revista Nature Neuroscience.

Ambiente modifica os genes

Roger Pocock, da Universidade de Copenhague, revelou a extraordinária capacidade dos organismos para ativar circuitos neuronais latentes quando se veem sob condições estressantes.

A pesquisa, feita em modelos animais simples, sugere que esses circuitos tomam parte nas respostas de fuga que permitem que os animais sintam o ambiente ao seu redor e adaptem o seu comportamento a condições desfavoráveis.

O cérebro humano contém bilhões de neurônios, que formam trilhões de conexões, tornando muito complexo o estudo do comportamento ao nível dos neurônios individuais.

É por isso que a equipe de Pocock usa o sistema nervoso simples de um verme microscópico, o Caenorhabditis elegans, para modelar como o ambiente modifica a função genética, os circuitos neuronais e o comportamento.

Fisiologia modifica o comportamento

Usando o C. elegans, que tem apenas 302 neurônios, o Dr. Pocock identificou um circuito neuronal escondido que modula percepção sensorial quando o animal está sob estresse.

Especificamente, esse trabalho descobriu que a detecção fisiológica da hipoxia (baixo nível de oxigênio) resulta na ativação de um circuito neuronal oculto que envolve os neuromoduladores serotonina e os receptores neuropeptídicos Y.

Isto significa que os mecanismos que ligam a hipoxia, a serotonina e a sinalização por neuropeptídeos também modificam o comportamento.

Cuidar da vida

Na verdade, o estresse hipóxico aumenta a produção de serotonina e de neuropeptídeos em regiões específicas do cérebro dos mamíferos, mas o resultado funcional desse mecanismo ainda não é bem compreendido.

"Estes e outros estudos no florescente campo das interações gene-ambiente-neurônios poderão nos permitir compreender melhor como lidar com o estresse em nossas vidas sempre muito atarefadas e com mudanças frequentes," diz Pocock.

Veja uma pesquisa relacionada na reportagem Interações sociais podem alterar genes no cérebro.


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