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20/07/2016

O que a ciência diz é: Cuidado com os antioxidantes

Redação do Diário da Saúde

Não aos suplementos de antioxidantes

Apesar dos inúmeros alertas emitidos ao longo dos últimos anos sobre o mito dos antioxidantes, a grande imprensa e milhares de produtos nutricionais continuam demonizando os radicais livres, ou o estresse oxidativo, e sugerindo que suplementos de antioxidantes podem prevenir ou curar doenças.

Os professores Pietro Ghezzi (Escola de Medicina Brighton e Sussex) e Harald Schmidt (Universidade de Maastricht) decidiram analisar todos os estudos científicos sobre o assunto e verificar se haveria algum fundamento para tanta propaganda.

O resultado da meta-análise é um aviso claro: "Não tome suplementos de antioxidantes a menos que uma deficiência clara dessas substâncias seja diagnosticada por um profissional de saúde".

Radicais livres do bem

Os seres humanos dependem do oxigênio para produzir energia, mas o oxigênio também tem o potencial de gerar formas reativas, os chamados radicais livres, que, em grandes quantidades, podem causar estresse oxidativo e deterioração celular.

Marcadores de estresse oxidativo têm sido correlacionados com doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e outras condições. Devido a essas associações, suplementos antioxidantes são tomados hoje por milhões de pessoas.

No entanto, nenhum dos antioxidantes testados em ensaios clínicos randomizados demonstrou qualquer benefício. Pelo contrário, alguns deles podem causar danos, como ajudar o câncer a se espalhar pelo corpo, fazer mal ao sistema cardiovascular, fazer mal às células-tronco ou acelerar o câncer.

Isto porque os radicais de oxigênio não apenas provocam doenças, eles são necessários para o funcionamento normal de muitas funções importantes no corpo, como a defesa imunológica, a síntese de hormônios, o controle do apetite, o controle dos batimentos cardíacos e a cura de ferimentos.

Assim, os antioxidantes irão interferir tanto com as moléculas de oxigênio saudáveis, quanto com aquelas que desencadeiam doenças.

Há outros caminhos

Para os casos em que as espécies reativas de oxigênio estão fazendo mal à saúde, a solução não está nos suplementos de antioxidantes, dizem os dois pesquisadores.

"O estresse oxidativo pode ser importante em algumas condições e apenas em uma pequena parcela dos pacientes," disse o prof. Ghezzi.

"Ele pode ser alvejado de uma maneira totalmente diferente, com medicamentos direcionados apenas naquelas fontes de moléculas de oxigênio que são gatilhos da doença, e deixar as saudáveis em paz," acrescentou o professor Schmidt.

A revisão foi publicada no British Journal of Pharmacology.


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