Cientistas brasileiros tratam enfisema pulmonar com células-tronco

Terapia com células-tronco

Quatro pacientes com enfisema pulmonar em estágio avançado estão participando dos primeiros testes de uma terapia inédita com células-tronco que está sendo realizada por pesquisadores da Unesp em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

O material destinado a regenerar o órgão lesionado é obtido a partir da medula óssea dos próprios doentes. A pesquisa inédita está sendo coordenada pelo Dr. João Tadeu Ribeiro Paes.

Também conhecido como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), o enfisema pulmonar é causado principalmente pelo tabagismo e atinge cerca de sete milhões de brasileiros. Por ano, a moléstia provoca cerca de 265 mil internações, com taxa de mortalidade de 10%. "Essa doença incurável tem como principal característica a obstrução do fluxo de ar nos pulmões, resultante da redução do número de alvéolos, onde ocorrem as trocas gasosas", diz Paes.

Regeneração dos tecidos pulmonares

Aplicada em ratos com enfisema induzido, a terapia conseguiu regenerar o tecido pulmonar 54 dias após seu início. "Os resultados iniciais foram bastante animadores e indicam uma esperança para os pacientes com a doença", afirma Paes.

Os pacientes estão sendo tratados desde o final de abril no Instituto de Moléstias Cardiovasculares, de São José do Rio Preto (SP). Durante alguns dias, eles receberam medicamentos para estimular a produção de células-tronco na medula óssea.

Após esse período, cerca de 150 ml de células da medula foram extraídas por meio de uma punção na altura da bacia. Depois de passarem por processos laboratoriais, 30 ml dessas células foram misturadas ao soro e injetadas no paciente por uma veia periférica do braço. A primeira aplicação de células-tronco ocorreu no início de maio. Segundo Ribeiro, ainda não se sabe como elas migram para o tecido lesado.

Primeiros testes em humanos

A expectativa é que os primeiros resultados sejam percebidos em quatro meses, quando a regeneração do tecido pulmonar deverá estabilizar o avanço da doença e melhorar o funcionamento dos pulmões. O teste também avaliará se a terapia não vai agravar o estado do paciente. Ribeiro diz que ainda não há relatos científicos de experimentos desse tipo em pulmões de humanos.

Somente na Unesp há 20 grupos de pesquisadores que estudam os efeitos das células-tronco em várias doenças. Em Botucatu, uma membrana cicatrizante produzida com esse tipo de células já foi aplicada com sucesso em mais de 300 pacientes com úlceras.


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