OMS critica cientistas que criaram vírus mutante da gripe aviária

Puxão de orelhas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) criticou duramente os cientistas que criaram em laboratório uma cepa mortal do vírus H5N1, da gripe aviária.

Duas equipes de cientistas, uma da Holanda e outra dos Estados Unidos, afirmam ter encontrado um modo de criar uma linhagem do H5N1 transmissível entre humanos, o que o torna capaz de provocar pandemias letais.

Anunciada nos últimos dias de 2011, a pesquisa ainda não foi aceita para publicação por nenhuma revista científica pelas preocupações éticas e pelo temor de que os resultados possam levar à criação de armas biológicas.

Até agora, nem mesmo os cientistas criadores dos vírus mutantes conseguiram justificar sua pesquisa ou demonstrar qualquer benefício que ela possa produzir.

Controle dos cientistas

Segundo a OMS, o trabalho dos cientistas criadores do vírus mortal deve ser rigidamente controlado, podendo ter riscos significativos à saúde humana em nível mundial.

"A Organização Mundial da Saúde está profundamente preocupada com as potenciais consequências negativas", diz a organização, destacando a transmissibilidade do vírus entre humanos e o possível mau uso da pesquisa como as maiores preocupações.

Assessores de segurança dos Estados Unidos também fizeram um pedido de censura inédito, temendo que a publicação de detalhes do estudo possa difundir conhecimento suficiente para a fabricação de uma arma biológica.

O Conselho Nacional de Ciência para a Biossegurança daquele país também pediu às revistas Science e Nature, às quais o trabalho foi submetido, que disponibilizem o estudo apenas em versões editadas, o que não foi aceito até agora.

Para a OMS, "embora esteja claro que o ato de conduzir pesquisas para obter conhecimento deve continuar, também está claro que certas pesquisas, e principalmente aquelas que podem gerar formas mais perigosas de vírus, têm riscos".

H5N1

O vírus H5N1 é extremamente mortal em pessoas diretamente expostas ao vírus de aves infectadas.

Desde que foi detectado, em 1997, cerca de 600 pessoas o contraíram e mais da metade delas morreram, uma taxa de letalidade inédita.

A letalidade só não é maior porque, até agora, não existia uma forma natural do vírus transmissível de humano para humano - o homem só adquire o H5N1 a partir das aves.

Mas os cientistas criaram artificialmente essa mutação, e nem mesmo as revistas científicas sabem como lidar com tal "descoberta".

A prestigiada Science fez um chamamento público, pedindo que os próprios cientistas sugiram como lidar com os resultados de tal pesquisa.

Benefícios incertos

O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos afirma que financiou os dois estudos sobre como o vírus poderia ficar mais transmissível em humanos com o objetivo de obter conhecimento sobre como reagir se a mutação ocorrer de forma natural.

Mas os estudos não indicam como destruir o vírus criado.

A OMS afirma que tal pesquisa deveria ser feita "apenas depois que tiverem sido identificados todos os riscos à saúde pública e benefícios importantes" e "houver a certeza que as proteções necessárias para minimizar o potencial para consequências negativas estejam em vigor".


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