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19/08/2016

Cientistas dizem ter encontrado conexão entre Mente e Corpo

Redação do Diário da Saúde
Cientistas dizem ter encontrado conexão entre Mente e Corpo
A descoberta anunciada agora lança uma nova luz sobre como estresse, depressão e outros estados mentais podem alterar funções dos órgãos.[Imagem: Cortesia Charité - Universitätsmedizin Berlin]

Conexão mente-corpo

Neurocientistas da Universidade de Pittsburgh (EUA) fizeram um anúncio histórico: eles afirmam ter encontrado a base neural da conexão mente-corpo, ou seja, como estados e práticas mentais influenciam o estado fisiológico do organismo.

Até hoje, a ciência ocidental - notadamente a Medicina - tem sido tipicamente fisiologista, ou seja, só se trata o corpo, com os fenômenos da mente sendo reduzidos a "fenômenos do cérebro" ou, ainda pior, descartados como "efeitos meramente psicológicos".

A descoberta anunciada agora lança uma nova luz sobre como estresse, depressão e outros estados mentais podem alterar funções dos órgãos, e mostra que existe uma base anatômica real para as doenças psicossomáticas.

A pesquisa também descreve uma base neural concreta que pode ajudar a explicar por que a meditação e certos exercícios como ioga e pilates podem ser tão úteis na modulação das respostas do organismo ao estresse físico, mental e emocional.

"Nossos resultados mostraram ser muito mais complexos e interessantes do que imaginávamos antes de começarmos este estudo," disse o professor Peter Strick, coordenador da equipe.

Reações pensadas

A equipe conseguiu mapear um circuito neural que liga as áreas do córtex cerebral à medula adrenal, à parte interna da glândula suprarrenal, que está localizada acima de cada rim.

E por que é tão importante saber quais áreas corticais influenciam a medula adrenal?

Ocorre que respostas agudas ao estresse incluem uma ampla variedade de mudanças fisiológicas, como o coração mais acelerado, sudorese e pupilas dilatadas. Estas respostas ajudam a preparar o corpo para a ação, tradicionalmente descritas pela ciência na forma de respostas "lutar ou fugir". São as suprarrenais - ou adrenais - que liberam os hormônios em resposta ao estresse.

Na vida moderna, contudo, o mais comum são reações pensadas, já que temos algum controle cognitivo sobre as nossas respostas ao estresse. E tudo isso envolve o córtex cerebral.

"Como temos um córtex, nós temos opções", explica Strick. "Se alguém o insulta, você não tem que furá-lo ou fugir. Você pode ter uma resposta mais diferenciada e ignorar o insulto, ou dar uma resposta espirituosa. Estas opções são parte do que o córtex cerebral fornece."

Ligação entre cognição e movimento

Outro resultado surpreendente foi que as áreas motoras do córtex cerebral, envolvidas no planejamento e execução dos movimentos, fornecem informações substanciais para a medula adrenal. Uma dessas áreas é uma parte do córtex motor primário relacionado com o controle do movimento axial do corpo e da postura.

Este input para a medula adrenal pode explicar por que exercícios corporais são tão úteis na modulação de respostas ao estresse. Práticas calmantes, como pilates, ioga, tai chi e até mesmo dançar em um pequeno espaço, todos exigem adequado alinhamento esquelético, coordenação e flexibilidade.

No geral, os resultados indicam que existem circuitos neurais que conectam o movimento e a cognição e afetam a função da medula suprarrenal e o controle do estresse. Esses circuitos podem mediar os efeitos dos estados internos, como o estresse crônico e a depressão, sobre o funcionamento dos órgãos e, assim, proporcionar um substrato neural concreto para algumas doenças psicossomáticas.


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