Cientistas reconhecem que testes em animais são inadequados

Cientistas já concordam que testes em animais são inadequados
Especialistas de vários países reuniram-se no Brasil para discutir métodos para substituir uso de animais em testes de laboratório, minimizar o sofrimento de cobaias e garantir melhores resultados para os humanos.
[Imagem: Ag.Fapesp]

Embasamento científico

Impulsionada pela opinião pública e pelo desenvolvimento científico e tecnológico, a busca por métodos alternativos aos testes de laboratório em animais já apresenta resultados.

Esses resultados são fruto do trabalho de uma parcela da comunidade científica que, até agora, era minoria. Mas esse quadro começa a mudar com as evidências e os resultados comparativos das novas tecnologias com os métodos tradicionais - além do reconhecimento da ineficiência desses mesmos "métodos tradicionais".

"Além das razões de ordem ética, que estão no cerne da busca por alternativas aos testes in vivo e de toda a demanda para diminuir e evitar o sofrimento dos animais, é urgente a questão do avanço científico. Os modelos animais são comprovadamente limitados, não permitem obter respostas de qualidade suficientemente boas", afirmou Maria José Giannini, que coordenou um evento na Universidade Estadual Paulista (Unesp) para discutir a busca por alternativas aos testes em animais.

As simulações de interações moleculares em computador e novas tecnologias para ensaios in vitro - os biochips e a tecnologia de microfluídica - estão ajudando a minimizar o uso de cobaias, apontando para um futuro livre de testes em animais.

Extrapolação indevida

Para os especialistas participantes do evento, é preciso desenvolver e adotar alternativas aos testes em animais para a redução dos riscos para o próprio ser humano, pois, dadas as particularidades das espécies, os resultados dos experimentos em animais não são suficientemente eficazes e precisos para serem extrapolados para os seres humanos.

"Os testes em animais vêm sendo usados há muitas décadas, mas nunca refletiram de maneira adequada os efeitos das substâncias testadas quando aplicadas ao organismo do ser humano. É preciso avançar por questões éticas e também científicas, incorporando novas tecnologias e abordagens à toxicologia", disse Thomas Hartung, da Universidade Johns Hopkins (EUA).

"Novos medicamentos muito avançados, como os imunobiológicos, se aplicados em um modelo animal não provocarão reações comparáveis à maneira como nós, humanos, reagiríamos. Os testes toxicológicos precisam acompanhar esse desenvolvimento, avançando para além dos modelos animais", acrescentou Maria José.

Hoje já é possível realizar testes de toxicidade usando as células do próprio paciente. Essenciais nessa linha de ação são os chamados "órgãos em um chip", microlaboratórios que reproduzem o coração e o pulmão humanos, por exemplo.

In silico

Outra importante frente de desenvolvimento de alternativas a testes em animais é a simulação em computador, chamada de teste in silico - em silício, uma referência ao material usado na fabricação dos circuitos eletrônicos. Essas simulações já permitem reduzir amplamente a quantidade de substâncias a serem testadas in vivo (em animais) e mesmo em laboratório (in vitro).


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