Cientistas revivem vírus gigante congelado há 30 mil anos

Cientistas revivem vírus gigante congelado há 30 mil anos
Os mesmos cientistas que ressuscitaram o vírus reconhecem que pode haver vírus mortais para o ser humano nos locais onde eles estão fazendo seu trabalho de descongelar vírus.
[Imagem: Julia Bartoli/Chantal Abergel/IGS/CNRS/AMU]

Vírus volta à vida

Um vírus que estava adormecido há 30 mil anos foi "ressuscitado" por cientistas da Universidade de Aix-Marseille, na França.

O vírus, que é gigantesco, foi encontrado na Sibéria, enterrado a trinta metros de profundidade em uma camada profunda chamada permafrost, o solo encontrado na região do Ártico formado por terra, gelo e rochas permanentemente congelados.

Após ter sido descongelado, o vírus pré-histórico voltou a se tornar contagioso.

A equipe responsável pelo experimento alertou para o possível risco para humanos de outros vírus infecciosos que podem ser liberados com o eventual descongelamento do permafrost.

No caso deste vírus gigante, ele aparentemente ataca apenas amebas, que são organismos unicelulares e não infectou células humanas e de animais em cultura de laboratório.

Mas o assunto é polêmico.

Na realidade, Christelle Desnues, da mesma universidade onde o vírus foi reativado, descobriu no ano passado que outro vírus gigante bacteriófago (que ataca bactérias), o Marseillevirus, infectou um bebê de 11 meses de idade - o vírus foi encontrado nos gânglios linfáticos inflamados da criança.

"Está claro que os vírus gigantes não podem ser vistos como aberrações independentes da natureza", defende ela. "Eles constituem uma parte integrante da virosfera, com implicações na diversidade, evolução e até mesmo na saúde humana."

Mas seus colegas não parecem pensar assim.

Assumindo riscos

A revista Nature afirmou que o experimento "parece um roteiro saído de um filme de ficção científica de baixo orçamento".

A própria equipe diz acreditar que outros agentes patogênicos mortais para o ser humano possam ter ficado presos no permafrost da Sibéria.

De uma forma um tanto polêmica, contudo, os cientistas defendem que "a melhor maneira" de saber isso é antecipando-se e descongelando os vírus escondidos nas camadas congeladas.

"Estamos estudando isso por meio de sequenciamento do DNA que está presente nessas camadas. Essa é a melhor maneira de descobrir o que existe de perigoso nessas camadas," afirmou Chantal Abergel, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês), coautora do estudo.

Ao mesmo tempo, eles advertem que expor camadas profundas poderá criar novas ameaças de vírus: "É uma receita para o desastre," afirmou o professor Jean-Michel Claverie, cientista-chefe da equipe.

Segundo Claverie, a perfuração do permafrost - eventualmente para mineração - fará com que as antigas camadas sejam penetradas, "e é daí que vem o perigo".

Ele acrescentou que antigas variantes do vírus da varíola, que foi erradicada há 30 anos, poderiam se tornar ativas novamente.

"Se for verdade que esses vírus sobrevivem da mesma maneira que vírus da ameba sobrevivem, então a varíola pode não ter sido erradicada do planeta, apenas de sua superfície," afirmou Claverie.

Maior vírus conhecido

Chamado Pithovirus sibericum, o vírus gigante pré-histórico pertence a uma categoria de vírus descoberta há dez anos.

Eles são tão grandes que, diferentemente de outros vírus, eles podem ser vistos ao microscópio.

E este, que mede 1,5 micrômetro de comprimento, é o maior já encontrado, cerca de 30% maior do que o pandoravírus, que era o maior conhecido até agora.

A última vez que ele infectou um organismo foi há mais de 30 mil anos, mas no laboratório ele foi "reativado".


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