Citocinas podem indicar evolução cardíaca da doença de Chagas

Citocinas podem indicar evolução cardíaca da doença de Chagas
VirginiaNULL análises demonstraram a produção de um alto nível das citocinas IFN-&alfa; e TNF-&alfa; nas amostras que tinham a forma cardíaca grave, quando comparado aos portadores da forma indeterminada.
[Imagem: Fiocruz]

Sintomas da doença de Chagas

Dez a 20 anos. Este é o tempo que pode levar para a fase crônica mais comum da doença de Chagas - a fase indeterminada, que não apresenta sintomas - se manifestar e evoluir para as formas clínicas cardíaca ou digestiva.

Ao tentar entender melhor porque alguns pacientes desenvolvem uma das formas sintomáticas da doença, pesquisadores do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM/Fiocruz Pernambuco), identificaram marcadores imunológicos que podem ser usados para predizer que forma clínica sintomática o paciente tem tendência a desenvolver.

"Quanto mais cedo isso acontecer, melhor para o paciente, pois ele poderá ser acompanhado e receber o tratamento adequado desde o início dos sintomas", comentou a biomédica Virgínia Lorena, vice-coordenadora do Serviço de Referência em Doença de Chagas da Fiocruz PE.

O que são citocinas

Durante a realização da sua tese de doutorado em saúde pública, Virgínia analisou a relação da produção de citocinas e as formas crônicas cardíaca e indeterminada da doença de Chagas.

As citocinas são proteínas encontradas nas nossas células, que são responsáveis por desencadear as defesas do organismo. O sangue de 39 pacientes foi cultivado com os antígenos recombinantes CRA e FRA, específicos do Trypanosoma cruzi, parasito causador da doença.

"Nossas análises, por meio de uma técnica chamada citometria de fluxo, demonstraram a produção de um alto nível das citocinas IFN-&alfa; e TNF-&alfa; nas amostras dos pacientes que tinham a forma cardíaca grave da doença, quando comparado aos indivíduos portadores da forma indeterminada", explicou Virgínia.

Monitoramento das citocinas

Ela conta que o próximo passo é continuar acompanhando os indivíduos que tem a forma indeterminada.

"Precisamos fazer isso por mais alguns anos para confirmar se realmente as citocinas IFN-&alfa; e TNF-&alfa; têm a capacidade de funcionar como marcadores de prognóstico, ou seja, se, durante esse período, apresentam-se em níveis mais elevados e se esses indivíduos (que atualmente estão assintomáticos) começam a apresentar sinais de doença cardíaca", comentou Virgínia.

O teste, que precisará ser aperfeiçoado nos próximos anos, é considerado prospectivo e pode vir a ser uma ferramenta de indicação de tratamento precoce e de melhoria de qualidade de vida dos pacientes chagásicos.

O estudo faz parte do projeto que está investigando marcadores de prognóstico para as formas severas da doença de Chagas, com financiamento de Biomanguinhos/Fiocruz e do CNPq. O trabalho, orientado pela pesquisadora Yara Gomes, do Departamento de Imunologia da Fiocruz PE, foi apresentado no Simpósio Internacional Comemorativo do Centenário da Descoberta da Doença de Chagas, realizado em julho, no Rio de Janeiro.


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