Ver:

 Temas
 Enfermidades





RSS Diário da Saúde

Twitter do Diário da Saúde

24/06/2015

Composto do jaborandi supera medicamento da esquistossomose

Com informações da Agência Fapesp
Composto do jaborandi supera medicamento da esquistossomose
Experimentos realizados no Instituto Butantan testou in vitro a atividade da epiisopiloturina contra diversos tipos de parasita[Imagem: Ag.Fapesp]

Fitoterápico

Um composto extraído da folha do jaborandi (Pilocarpus microphyllus) mostrou-se eficaz contra as formas jovem e adulta do parasita Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose.

O composto, denominado epiisopiloturina, foi submetido a testes pré-clínicos e de estabilidade química por Ana Carolina Mafud, da USP de São Carlos (SP), em parceria com uma equipe da Universidade Federal do Piauí (Biotec-UFPI) e do Instituto Adolfo Lutz (IAL).

"Em parceria com o SUS [Sistema Único de Saúde], estamos avaliando a eficácia e a segurança de usar o composto como um fitoterápico. Também existe a possibilidade de criar versões sintéticas da molécula com pequenas modificações e ação potencializada, o que seria mais interessante para a indústria farmacêutica", contou Ana Carolina.

Resíduo valioso

A empresa Centroflora, instalada no Piauí, faz a extração em larga escala de uma outra substância da folha do jaborandi, a pilocarpina, usada no tratamento do glaucoma.

Mas o processo industrial gera uma grande quantidade de resíduos, e foi tentando encontrar uma utilização para esse resíduo que os pesquisadores identificaram o potencial da nova substância para combater a esquistossomose.

"Assim como a pilocarpina, a epiisopiloturina também é um alcaloide. Ambos têm estruturas parecidas, mas a ação biológica é diferente", explicou Ana Carolina.

A principal droga atualmente usada no controle da esquistossomose, o praziquantel, só tem eficácia contra vermes adultos e, embora melhore o quadro, não consegue promover a cura completa ou interromper o processo de transmissão. Outras desvantagens do praziquantel são a alta toxicidade para o fígado e o fato de não apresentar formulação pediátrica, dificultando o tratamento de crianças - principal faixa etária atingida pela doença.

A única desvantagem é que, para ter efeito, a epiisopiloturina precisa ser administrada em dose bem mais alta (150 mg/kg) que o praziquantel (5 mg/kg), o que não a torna atraente para a indústria farmacêutica.

No momento, os pesquisadores estão testando no IAL um tratamento com doses mais baixas e duração de dez dias, ainda em cobaias.

Esquistossomose

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a esquistossomose afeta quase 240 milhões de pessoas, sendo a verminose que mais mata no mundo. Mais de 700 milhões de pessoas vivem em áreas endêmicas, localizadas principalmente em regiões tropicais e subtropicais, em comunidades carentes sem acesso a água potável e saneamento adequado.

Na fase aguda da doença, os infectados podem apresentar coceiras e dermatites, febre, inapetência, tosse, diarreia, enjoos, vômitos e emagrecimento. Na fase crônica, episódios de diarreia podem alternar-se com períodos de prisão de ventre.

A doença pode evoluir para um quadro mais grave com aumento do fígado (hepatomegalia) e cirrose, aumento do baço (esplenomegalia), hemorragias provocadas por rompimento de veias do esôfago e barriga d'água (abdome proeminente pelo escape de plasma do sangue).


Ver mais notícias sobre os temas:

Plantas Medicinais

Medicamentos Naturais

Infecções

Ver todos os temas

Mais lidas na semana:

Cientistas dizem ter descoberto cura definitiva para alcoolismo

Vacina contra dengue pode fazer mais mal que bem em alguns locais

Os muitos mitos sobre as Dores nas Costas

Medicamento desenvolvido no Brasil combate origem da hipertensão

Carne vermelha todo dia faz mal? Especificamente que mal?