Cirurgia refaz conexão de veias no coração de recém-nascido

Conexão invertida

Um bebê britânico surpreendeu médicos e familiares ao conseguir se recuperar de uma anomalia rara que fazia com que suas veias pulmonares estivessem conectadas do lado errado do coração.

Ellis Hobbs foi afetado por uma síndrome que atinge uma a cada 20 mil crianças, segundo o departamento de Cardiologia Pediátrica da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

Ela faz com que o sangue oxigenado pelos pulmões chegue ao coração pelo lado oposto ao usual, e causa diminuição dos níveis de oxigênio no sangue que circula pelo resto do organismo.

Uma semana depois de nascer, o bebê teve que ser submetido a uma cirurgia no coração para a correção do problema.

Reversão

Cerca de 80% dos bebês que nascem com este tipo de má formação morrem no primeiro ano de vida.

Os médicos do Hospital Infantil de Birmingham conseguiram reverter o quadro e o menino, agora com três meses, se recuperou completamente.

"Nós ficamos com muito medo quando descobrimos que ele tinha um problema tão horrível. Não acreditei quando me disseram que ele precisaria de uma cirurgia no coração", disse a mãe de Ellis, Claire Hobbs.

Lábios azuis

Claire conta que o bebê parecia saudável quando nasceu, e que, cinco dias depois, a parteira que o examinava notou que seus lábios estavam azuis.

"Nós não estávamos muito preocupados, mas quando chegamos ao hospital da Universidade, em Coventry, disseram que os níveis de oxigênio dele estavam muito baixos", conta.

O bebê foi transferido para Birmingham para que fosse examinado por especialistas, mas foi por causa do palpite de um membro da equipe que o problema foi descoberto.

Ellis sofria de uma doença chamada Drenagem anômala total das veias pulmonares (DATVP), que faz com que as veias do coração fiquem incorretamente conectadas.

As veias pulmonares, que transportam o sangue oxigenado que sai dos pulmões, devem estar conectadas ao átrio esquerdo do coração, que bombeia o sangue para o resto do corpo.

Mas no caso do bebê, elas estavam conectadas com o lado direito, que normalmente recebe o sangue que vem do corpo em direção aos pulmões e que é mais pobre em oxigênio. Claire Hobbs e o bebê Ellis, no hospital.

Retribuição

O cirurgião cardíaco pediátrico Marcelo Jatene, da USP, explicou que, por isso, a anomalia fazia com que o sangue oxigenado e o sangue pobre em oxigênio se misturassem e fossem bombeados para outros órgãos vitais do corpo, comprometendo suas funções.

"Com a cirurgia, os especialistas conseguem refazer as conexões que faltavam no coração, e fazer com que o sangue circule corretamente pelo corpo da criança", disse à BBC Brasil.

Andy Hobbs, o pai de Ellis, quer escalar o monte Kilimanjaro, na Tanzânia, para angariar fundos para o hospital que salvou a vida de seu filho.

"Não temos como agradecer o suficiente à equipe médica que ajudou nossa família", disse a mãe, Claire.


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