Consciência não emerge de uma única área do cérebro

Consciência não emerge de uma única área do cérebro
O estudo suporta a conclusão de que a consciência é uma propriedade emergente de uma rede global de populações neuronais.
[Imagem: MPI for Biological Cybernetics]

Consciência e percepção consciente

A consciência, ou a percepção consciente, têm definições muito diferentes para os diversos campos da ciência.

Para os neurologistas, a consciência, no sentido de estar ciente de algo, é um processo seletivo que permite que apenas uma parte do sistema sensorial alcance essa conscientização, ou essa "ciência", no sentido de um ato de atenção.

Em termos mais estritos, a consciência é vista como percepção em sentido amplo, enquanto a conscientização é vista mais como atenção.

Recentemente, pesquisadores defenderam que atenção e percepção são processos mentais independentes.

Neurociência materialista

Esta não é a única corrente do estudo da mente, embora seja a hegemônica atualmente: essa tradição, chamada materialista, procura derivar a psicologia (mente) a partir da física (cérebro), postulando uma identidade mente-cérebro.

Ou seja, o que os neurocientistas querem saber é onde no cérebro as coisas acontecem.

Por decorrência, busca-se no cérebro a fonte de todas as ocorrências não apenas da fisiologia, mas também do comportamento humano, já que cada comportamento deveria se originar de pontos específicos do cérebro.

Contudo, segundo Nikos Logothetis e seus colegas do Instituto Max Planck e da Universidade de Tubingen, na Alemanha, os cientistas não vão encontrar o endereço da consciência no cérebro.

Eles descobriram que o conteúdo da percepção consciente não está localizado em uma única área cortical.

Processo emergente

Ao estudar a consciência dos estímulos visuais em primatas, eles descobriram uma associação da percepção consciente da visão com duas áreas muito diferentes.

Segundo eles, o fato de que a atividade neural em duas áreas corticais diferentes reflitam a percepção consciente mostra não ela é produzida unicamente em uma delas.

Em vez disso, argumentam, é muito mais fácil presumir que a consciência seja uma propriedade emergente de uma rede global de populações neuronais.

Agora eles planejam monitorar as duas regiões ao mesmo tempo, com aparelhagens diferentes, para tentar descobrir como elas interagem durante a percepção.

Isto poderá responder, por exemplo, por que ficamos conscientes de algumas coisas, enquanto reagimos a outras de forma inconsciente.


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