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20/06/2012

Critério médico de prevenção do suicídio deixa pacientes vulneráveis

Da New Scientist

Risco de errar

Prevenir o suicídio é o Santo Graal de todos os tratamentos de saúde mental.

Mas a forma como isto está sendo feito pode estar causando mais mal do que bem.

Essa é a mensagem polêmica de uma análise que acaba de ser publicada no American Journal of Psychiatry, por Matthew Large (Universidade de Nova Gales do Sul) e Olav Nielssen (Universidade da Austrália).

O estudo sugere que o principal fator usado pelos médicos para avaliar o risco de suicídio acaba tirando o tratamento de quem mais precisa, e tratando em excesso aqueles que não precisam.

Avaliação do risco de suicídio

Segundo os dois psiquiatras, a maioria dos suicídios ocorre entre aqueles pacientes com problemas psiquiátricos considerados de baixo risco.

É tão difícil prever quem vai realmente atentar contra a própria vida que cerca de 98 a 99 por cento das pessoas consideradas de alto risco, e por isso encarceradas ou fortemente medicadas, nunca irão cometer suicídio, diz o Dr. Large.

"Mesmo as pessoas que classificamos como de baixo risco são muitas vezes mais propensas a se matar do que os membros da comunidade em geral," afirma ele. "Avaliar pacientes psiquiátricos como de alto e baixo risco é como comparar a diferença entre o 10º e o 11º andares e não olhar para a diferença entre esses andares e o chão."

O psiquiatra explica que o "pilar fundamental" da avaliação de risco é a ideação suicida - ter pensamentos sobre suicídio.

Este tipo de ideação geralmente resulta na categorização automática do paciente como de alto risco.

Ideação suicida

Mas quando analisaram detidamente todas as evidências dos tratamentos, os dois psiquiatras descobriram que a ligação entre a ideação suicida e o suicídio não é necessariamente tão forte como se assume.

Outros fatores de risco também devem ser considerados, dizem eles.

Um paciente psiquiátrico com ideação suicida pode ter 2,5 vezes mais chances de cometer suicídio do que um paciente psiquiátrico sem a ideação suicida - observe que a comparação não é feita com a população em geral, mas entre os pacientes psiquiátricos.

Por outro lado, destacam os autores, em algumas populações em geral, os homens têm 4 vezes mais probabilidade de morrer de suicídio do que as mulheres.

Por isso, basear-se na ideação suicida para escolher quem tratar, pode até mesmo resultar em mais suicídios em geral, uma vez que menos esforços serão direcionados para o grupo de "baixo risco".

Mito confortável

Os pesquisadores afirmam que inúmeros pacientes se suicidam sem nunca ter planejado isto.

Além disso, muitos deles podem simplesmente não contar para o seu médico que têm ideias suicidas.

"A maior parte da avaliação de risco é um tipo de mito confortável, que só serve para justificar o racionamento dos recursos destinados a esses pacientes," concluiu Large.


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