Detecção precoce do câncer de próstata não traz benefícios se PSA for baixo

Risco baixo

Homens com idade entre 55 e 74 anos, que apresentam baixos níveis do antígeno prostático específico (PSA) não se beneficiam de exames regulares e da detecção precoce do câncer de próstata.

Essa é a conclusão de um novo estudo publicado na revista científica Cancer, uma publicação da American Cancer Society.

O objetivo do estudo é ajudar médicos e pacientes a pesarem os prós e os contras dos exames preventivos para detecção do câncer de próstata.

O câncer de próstata é o tumor maligno mais comumente diagnosticado e a terceira principal causa de morte por câncer entre os homens nos países ocidentais.

Enquanto um homem nos Estado Unidos tem uma chance de uma em seis (16,6%) de ser diagnosticado com câncer de próstata durante sua vida, uma vez diagnosticado, seu risco de morrer da doença é relativamente baixo (cerca de um em 36, ou 2,77%).

Nível de PSA

Pim van Leeuwen, da Universidade Erasmus, em Roterdam, na Holanda, liderou uma equipe que tentou identificar se o valor basal de PSA pode prever quais homens terão mais benefícios dos exames preventivos periódicos e da detecção precoce do câncer de próstata.

Os pesquisadores compararam a incidência do câncer de próstata com as mortes causadas pelo câncer em relação aos níveis de PSA em 43.987 homens com idades entre 55 e 74 anos. Os dados foram coletados entre 1993 e 1999 no estudo europeu randomizado Triagem para Câncer de Próstata, realizado na Holanda, Suécia e Finlândia.

Foi incluído na pesquisa um grupo adicional de 42.503 homens da Irlanda do Norte, na mesma faixa etária, que tiveram seus níveis de PSA medidos entre 1994 e 1999.

Todos os homens tinham níveis de PSA abaixo de 20 ng/ml no início do estudo, e foram acompanhados para a incidência de câncer de próstata e causas de morte até 2006.

Foi registrado um total de 5.861 casos de câncer de próstata durante o período de estudo, e as taxas de morte por câncer de próstata foram maiores entre os homens com níveis elevados de PSA no início do estudo.

Morte rara

Os pesquisadores descobriram que, entre os homens com níveis de PSA entre zero e 1,9 ng/ml, um total de 24.642 homens teria de fazer exames preventivos e 724 casos de câncer de próstata precisariam ser tratados para prevenir uma única morte por câncer de próstata.

Para os homens com níveis de PSA entre 10 e 19,9 ng/ml, os benefícios da detecção precoce e do tratamento são mais favoráveis: um total de 133 homens precisaria ser avaliado para evitar uma morte por câncer de próstata.

O estudo indica que o nível de PSA de um homem antes do diagnóstico é um forte preditor para o risco de morrer de câncer de próstata.

Para os homens com idades entre 55 e 74 anos, que apresentam baixos níveis de PSA, os benefícios de exames preventivos e tratamento precoce parecem limitados, dizem os pesquisadores.

Sem uma previsão de benefícios, esses exames rotineiros podem aumentar os diagnósticos de câncer de próstata e levar ao tratamento excessivo e aumento dos custos para o sistema de saúde, segundo eles.

Detecção precoce

"Os maiores benefícios dos programas de detecção precoce ocorrem quando os homens com idades entre 55-74 anos são diagnosticados e tratados quando o PSA está na faixa de 4,0 a 9,9 ng/ml ou de 10,0 a 19,9 ng/ml. Além disso, pesquisas que recomendam um monitoramento mais intensivo pelos exames de PSA através da redução do nível de corte de PSA podem aumentar consideravelmente o número de homens que exigirão monitoramento adicional e tratamento, apesar de ter pouco efeito sobre a redução da mortalidade por câncer de próstata," escreveram os autores.

Os pesquisadores alertam para o curto período de acompanhamento coberto na pesquisa, entre 10 e 15 anos, advertindo que, "os resultados apresentados neste estudo são limitados devido ao acompanhamento relativamente curto. Consequentemente as vantagens da detecção precoce e dos exames preventivos podem aumentar com o tempo de acompanhamento, enquanto os contras podem diminuir relativamente."

No Brasil, a orientação do Instituto Nacional do Câncer é de que o exame de rotina para prevenção do câncer não é uma recomendação expressa, mas uma escolha que deve ser feita entre médico e paciente - veja também INCA mantém restrições ao exame de toque retal.

Recentemente, médicos europeus descartaram os exames de câncer de próstata como rotina.

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