Dez por cento das mulheres que fizeram esterilização se arrependeram

Uma pesquisa feita no curso de Saúde Pública da ENSP verificou, entre outros resultados, que 10% das mulheres que fizeram esterilização no Brasil sentiram-se arrependidas tempos depois do procedimento.

O estudo, realizado pela assistente social Luciana Freitas Barbosa, resultou em artigo publicado na Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil.

O estudo teve como base os dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde, realizada em 1996, no Brasil, com uma amostra de 3.233 mulheres em idade reprodutiva, cuja esterilização ocorreu pelo menos um ano antes da entrevista.

Método de esterilização mais utilizado

Segundo dados colhidos por Luciana Barbosa, "a esterilização feminina tem sido considerada o método de contracepção mais utilizado no mundo". De acordo com levantamento feito pelas Nações Unidas, 21% de todos os casais adotaram a esterilização feminina como opção, seguido pelo DIU e pela pílula anticoncepcional.

"Segundo a última pesquisa de base populacional realizada no Brasil, a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), em 1996, a esterilização feminina é o método mais prevalente também no Brasil, com aproximadamente 40% das mulheres casadas ou em união consensual de 15 a 49 anos esterilizadas", informa Luciana no estudo.

Arrependimento com a esterilização

Na PNDS de 1996, foram realizadas 12.612 entrevistas com mulheres de 15 a 49 anos, das quais 3.447 realizaram a esterilização cirúrgica. No questionário havia uma pergunta sobre arrependimento - "Você se arrepende de ter feito essa operação?" - e outra sobre as razões pelas quais essas mulheres se arrependeram.

Há também uma pergunta sobre a insatisfação com o método - "Do seu ponto de vista, hoje, está satisfeita com sua decisão de fazer a operação?".

Entretanto, Lucia Barbosa explica que no "estudo as mulheres que se declararam insatisfeitas não foram consideradas "arrependidas", pois assume-se que esses dois conceitos são diferentes. Todas as observações de mulheres cuja esterilização ocorreu menos de um ano antes da data da entrevista foram excluídas como forma de dar tempo suficiente para que a mulher se adaptasse à cirurgia".

Luciana apurou algumas características das mulheres esterilizadas e percebeu que a maior parte delas (57,8%) realizou o procedimento antes dos 30 anos de idade; 88,2% eram casadas; e 61,4% tinham dois ou três filhos (61,4%). Com relação à raça/cor, 54,2% se declararam mulatas; 41,7% brancas; e apenas 3,9% negras.

Desejo de ter outro filho

As mulheres esterilizadas que declararam arrependidas (10,6%), a maioria mulheres jovens e de baixa escolaridade, afirmaram que a principal razão para o arrependimento era o desejo de ter outro filho, fato confirmado por 62,7% dessas mulheres. Outra questão apontada no estudo é "que a chance de uma mulher se arrepender entre cinco e nove anos após a esterilização é 45% maior quando comparada com a chance de arrependimento entre mulheres que foram esterilizadas há menos de cinco anos".

Na conclusão do artigo, os pesquisadores informam que as "análises implementadas no estudo permitiram a identificação de fatores sociodemográficos associados com o arrependimento após a esterilização. Na amostra analisada, com representatividade nacional, verificou-se que a maior parte das esterilizações ocorreu com menos de um ano do nascimento do último filho". Por fim, o artigo destaca que as mulheres mais jovens não ponderam todos os elementos envolvidos na decisão pela esterilização.


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