Tecnologia ajuda diagnosticar doenças respiratórias via internet

Tecnologia ajuda diagnosticar doenças respiratórias via internet
Tela do programa scanRX, que guia o usuário na digitalização das imagens de raios X, que a seguir são transmitidas pela internet.
[Imagem: Coppe]

Raio X pela internet

Pesquisadores do Núcleo de Computação de Alto Desempenho (Nacad) da UFRJ/Coppe desenvolveram um software inovador que tornará mais acessível o diagnóstico de doenças respiratórias no Brasil.

O software, denominado scanRX, possibilitará a implantação do serviço de telerradiologia de baixo-custo em todo o país, capaz de auxiliar no diagnóstico pela internet.

A nova ferramenta, desenvolvida com tecnologia nacional adequada às necessidades do sistema de saúde brasileiro, proporcionará menor custo, maior rapidez e eficiência no diagnóstico de doenças respiratórias, principalmente em regiões distantes dos grandes centros urbanos que carecem de especialistas.

Por isso, o scanRX tem potencial para ser implantada no Programa Telessaúde Brasil, do Ministério da Saúde.

Escaneamento do raio X

O scanRX estruturado com linguagem simples, podendo ser operado até mesmo por iniciantes em informática.

Os pesquisadores também buscaram soluções de baixo custo, inclusive na opção de equipamentos necessários para uso do sistema. Um exemplo é a substituição do escâner especial, tradicionalmente utilizado pela radiologia, que custa R$ 20 mil, pelo comum, que custa R$ 2 mil.

O profissional do posto de saúde poderá escanear o filme do exame de raios X convencional em até quatro partes, se for necessário, para ajustá-lo à dimensão do escâner.

O usuário é guiado por uma interface amigável que informa o número de passos e movimentos que precisam ser realizados para a aquisição correta da imagem parcial. Também mostra como o filme deve ser exposto no escâner para evitar erros na identificação da imagem.

"Desenvolvemos uma metodologia para que o nosso sistema possa ser utilizado tanto pelos médicos como pelos técnicos das unidades de saúde. Para acessá-lo, basta que o posto tenha um computador com conexão à internet e um escâner comum, com iluminação na parte superior interna, que é o adequado para digitalizar material transparente, a exemplo dos filmes", garante Amit coordenador técnico do projeto.

ScanRX

O scanRX monta automaticamente a imagem de um filme de raios X após esta ter sido escaneada em partes, e a comprime para viabilizar sua transmissão pela internet, mesmo em locais de conexão lenta.

Para transmitir as imagens de RX digitalizadas, a equipe desenvolveu o rioteleRX, um sistema que permitirá aos médicos radiologistas emitirem um relatório de segunda-opinião para médicos não radiologistas, respeitando, inclusive, a resolução de telerradiologia do Conselho Federal de Medicina.

"O grande impacto esperado é a aceleração do diagnóstico das doenças pulmonares, com destaque para a tuberculose, que é ainda um grave problema na saúde pública", diz a professora Alexandra Monteiro, coordenadora geral do projeto TIPIRX (Teleintegração para Imagens Radiológicas).

"Além disso, tendo em vista as dimensões continentais do Brasil e o número limitado de radiologistas brasileiros, soluções como estas, poderão permitir maior rapidez no atendimento à população", afirma a professora Alexandra Monteiro, da Uerj, coordenadora do Núcleo RJ do Programa Telessaúde Brasil.

Digitalização do raio X

Após a etapa inicial, o ScanRX faz a costura das imagens, gerando uma única figura digital compactada, entre 75% e 86%, suficiente para manter a definição e não comprometer os detalhes.

O próprio software grava a imagem em pasta padronizada com as informações do médico e do paciente fornecidas pelo usuário. "Nenhum desses procedimentos requer intervenção ou conhecimento específico do usuário, tanto em informática como em radiologia", afirma o professor Amit.

Para concluir o processo, a imagem digitalizada do exame é anexada a um formulário eletrônico, desenvolvido no Núcleo RJ do Telessaúde Brasil, e enviada a uma equipe de teleconsultores dos serviços de radiologia, como a do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ. Após análise, a resposta é devolvida no mesmo formulário para que o médico possa obter o diagnóstico final e medicar o paciente.

"Todo o procedimento foi feito de acordo com as resoluções éticas do Conselho Federal de Medicina e também da resolução específica em Telerradiologia, aprovada ano passado", afirma o professor da Coppe.


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