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31/05/2013

Resultados contestam estudo sobre "droga promissora" para Alzheimer

Redação do Diário da Saúde
Pesquisas contradizem estudo sobre droga promissora para Alzheimer
Embora o estudo original afirmasse que o bexaroteno reduzia em até 75% as placas beta-amiloide, os novos estudos não encontraram nenhuma melhora.[Imagem: Science/AAAS]

Bexaroteno

Cerca de um ano atrás, a revista Science publicou um artigo afirmando que o bexaroteno era uma droga com grande potencial para tratar o Mal de Alzheimer.

A descoberta foi anunciada como um avanço significativo e um importante ponto de partida para novas pesquisas rumo a tratamentos eficazes contra a doença, concluindo que o medicamento revertia rapidamente os efeitos do Mal de Alzheimer.

Contudo, nada menos do que três grupos de pesquisadores, trabalhando em instituições diferentes, acabam de concluir o contrário.

Os estudos, realizados na tentativa de reproduzir os resultados iniciais, foram feitos nas universidades da Flórida e Chicago, nos Estados Unidos, e na Universidade de Leuven, na Bélgica.

Depois de avaliar o bexaroteno em vários modelos animais de teste de Alzheimer, as equipes não viram qualquer resultado.

Por isso, em um comentário técnico publicado pela mesma revista Science, as equipes afirmam que o bexaroteno não deve ser testado em pacientes humanos visando o tratamento do Mal de Alzheimer.

Como a ciência funciona

"A ciência é um processo de aprendizagem, e se aprende por tentativa e erro, e começando de novo e corrigindo erros. Portanto, é lógico que conclusões da pesquisa científica - mesmo em revistas de prestígio - precisem ser reavaliadas ao longo do tempo," diz o Dr. Bart De Strooper, da Universidade de Leuven.

"Se os resultados não podem ser reproduzidos, é muito importante que isso seja divulgado de modo que outros cientistas também possam determinar o valor de uma publicação - ciência reproduzível é o único tipo verdadeiro de ciência. Esta é a única maneira pela qual podemos aprender com nossos erros e, esperamos, um dia desenvolver uma droga," explica ele.

Antes que um estudo seja aceito para publicação, as revistas científicas submetem o artigo a um painel de cientistas de renome no seu campo de pesquisa. A publicação só é feita após uma avaliação positiva por estes especialistas - é a chamada revisão pelos pares.

Outros cientistas tentam então reproduzir os resultados. Geralmente eles são bem-sucedidos, validando o estudo original. Mas, algumas vezes, experiências semelhantes levam a resultados diferentes.

A preocupação é que resultados não validados não sejam usados em aplicações, sobretudo no caso da saúde, onde testes podem colocar em risco a saúde das pessoas, ou gerar expectativas que não serão cumpridas.


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