Ebola: OMS e Ministério da Saúde divergem quanto a riscos

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, disse que o surto do vírus ebola está se expandindo mais rapidamente do que os esforços para controlá-lo.

"Se a situação continuar a piorar, as consequências podem ser catastróficas em termos de perda de vidas e também socioeconômicos, e há riscos de propagação para outros países", alertou.

Segundo a diretora, este surto é de longe o maior da história de quase quatro décadas da doença, tanto em número de casos (1.323), quanto de mortes registradas (729).

A diretora da OMS adiantou que alguns países terão que impor restrições de locomoção e de reuniões públicas, dependendo da situação epidemiológica. Para ela, a reunião de hoje deve marcar um ponto de mudança na resposta ao surto. A OMS já havia anunciado apoio financeiro de US$100 milhões para combater o alastramento do ebola.

Margaret destacou que a doença está ocorrendo em áreas com maior movimento populacional, e tem demonstrado capacidade de se espalhar por meio de viagens aéreas. Casos estão ocorrendo em áreas rurais de difícil acesso, mas também em capitais densamente povoadas, disse a diretora.

Ebola no Brasil

Segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, os fiscais de vigilância sanitária nos portos, aeroportos e fronteiras do Brasil estão treinados para identificar, caso chegue ao país, qualquer pessoa com suspeita de contágio pelo vírus ebola.

Ao contrário do alerta da diretora da OMS, no entanto, o ministro afirmou que não há recomendação específica nem risco de transmissão global do vírus: "Queremos insistir: não há recomendação e não há risco de transmissão global, segundo a Organização Mundial da Saúde [OMS]. Por enquanto, não há recomendação de restrição de viagens," disse o ministro.

O ministro disse que os brasileiros que viajam para os países afetados pela epidemia devem seguir todas as recomendações das autoridades locais, mas que não há, por enquanto, nenhuma orientação para a interrupção de viagens ou voos. "É importante que tomem os cuidados que chamamos de biossegurança: não entrar em contato com secreção, com vômito", defendeu.

Ebola em médicos e enfermeiros

Segundo a OMS, outra questão de grande preocupação é que o surto de ebola está afetando um grande número de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, um dos recursos mais importantes para conter um surto. Até o momento, mais de 60 profissionais de saúde morreram depois de trabalhar com pacientes infectados pelo vírus ebola.

Para Margaret Chan, apesar da inexistência de uma vacina ou terapia curativa, os surtos de ebola podem ser contidos com a detecção precoce e isolamento dos casos, com o rastreio dos infectados e procedimentos rigorosos de controle de infecção. Ela destacou que o início rápido do tratamento aumenta as chances de sobrevivência.

O vírus ebola é transmitido por contato direto com o sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados. Os principais sintomas são hemorragias, vômitos e diarreias. A taxa de mortalidade da doença varia entre 25 e 90%. Esta é a primeira vez que se identifica e se confirma uma epidemia de ebola na África Ocidental, até agora sempre registradas em países da África Central.


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