Cientistas criam embrião humano a partir de três doadores

Fertilização a três

Cientistas norte-americanos anunciaram ter criado embriões saudáveis a partir de três doadores.

Segundo eles, o novo tratamento de fertilização in vitro, foi testado em humanos e em animais e gerou resultados "promissores".

O trabalho foi publicado na revista científica Nature.

No início deste ano, o governo britânico iniciou uma consulta pública para discutir o que a sociedade acha do tratamento polêmico, antes de autorizar seus cientistas a prosseguirem com os estudos.

Aprovação

A técnica foi concebida para prevenir doenças mitocondriais fatais e debilitantes, que são passadas das mães para os filhos e que também causam fraqueza muscular, cegueira e insuficiência cardíaca.

Segundo os cientistas, os embriões humanos foram criados em laboratório e tinham "aparência normal", enquanto macacos nascidos por meio da mesma técnica permanecem "saudáveis", disseram os especialistas.

Foram usados óvulos de de sete mulheres que concordaram em participar do experimento.

Masahito Tachibana, da Universidade do Oregon, juntamente com uma equipe de várias outras instituições, afirma que a pesquisa revela que a técnica pode funcionar, pelo menos, em laboratório.

Ainda não se sabe, contudo, se o procedimento poderia originar um bebê saudável.

Os cientistas agora querem saber se podem fazer mais estudos para assegurar que o tratamento é seguro.

Embriões de três doadores

O tratamento envolvendo os três doadores usa a informação genética central da mãe e do pai e a insere em um embrião de um doador com mitocôndrias sadias.

As mitocôndrias estão presentes no citoplasma dos óvulos - tal como a clara do ovo de uma galinha. Elas contêm somente uma pequena fração do material genético e são responsáveis por determinar características como a textura do cabelo ou a cor dos olhos contidas no núcleo - um pontinho da gema, na mesma analogia.

Os cientistas vêm estudando duas maneiras de criar embriões a partir de três doadores.

Uma delas é tirar o núcleo do óvulo da mãe e inseri-lo em um óvulo de uma doadora que possui mitocôndrias saudáveis e que teve seu núcleo previamente removido. Esse novo óvulo poderá, então, ser fertilizado com o esperma do pai.

A outra forma é fertilizar o óvulo da mãe primeiro, antes de remover seu núcleo e inseri-lo no embrião de um doador.

O estudo conduzido pelos cientistas norte-americanos baseou-se na primeira opção.


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